Grêmio e os ciclos virtuoso e vicioso
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Grêmio e os ciclos virtuoso e vicioso

Ciclos, sejam eles viciosos ou virtuosos, não se eternizam em clubes de futebol

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Uma das promessas de Fábio Koff no seu retorno ao comando do Grêmio ( 2013-2014) era acabar com o ciclo vicioso que se arrastava há mais de uma década.
Falava em imprimir um ciclo virtuoso.
Koff deixou a base para a implantação de um ciclo virtuoso e sua promessa foi cumprida na gestão seguinte por Romildo Bolzan com a conquista do penta da Copa do Brasil em 2016.
Seguiu-se uma Libertadores (2017) e a Recopa de 2018.
Seria injusto não lembrar que com Paulo Odone presidente o Grêmio encerrou o pagamento de três condomínios de credores formados depois da falência da ISL.
A recuperação do clube gaúcho, iniciada por Obino, é apenas mais um atestado da sua grandeza. 
Também seria injusto não citar Adalberto Preis, o pai do planejamento estratégico do clube. Com Preis no futebol o Grêmio levantou a Copa do Brasil.
Odorico Roman, um indicado de Preis, levantou a taça da Libertadores.
Ciclos, sejam eles viciosos ou virtuosos, não se eternizam em clubes de futebol. Alguns duram mais, outros menos.
O virtuoso Grêmio de Romildo comemorou em 2018 a maior receita bruta da história, R$ 402 milhões, e foi alavancado nos últimos anos por R$ 300 milhões em venda de jogadores, fora contratos milionários com a TV, um rendendo R$ 100 milhões apenas de luvas.
A eliminação na semifinal da Copa do Brasil está longe de encerrar o ciclo virtuoso. Mas, e há um sempre um mas em tudo, se o clube quiser encerrar mais uma temporada superavitária (lembrando que não vendeu Everton) terá que chegar à final da Libertadores e ir bem no Brasileiro, que este ano premia por colocação.
Em junho o clube apresentava um superávit de R$ 30 milhões.
Em agosto já era de R$ 21 milhões. Assim, chegará em dezembro com déficit sem a grana de premiação. A folha salarial do futebol anda perto dos R$ 15 milhões (baixou em junho para R$ 14 milhões pois não houve premiações). 
Taças no armário costumam ser decisivas para manutenção de ciclos virtuosos.
A do regional não conta. Vale para efeitos domésticos e gera pouco dinheiro.
O título da Libertadores garante ao campeão 12 milhões de dólares, R$ 49,2 milhões, além de ficar com 25% do dinheiro proveniente de bilheteria do confronto único da final, a ser realizado no Estádio Nacional de Santiago, no Chile, nesta bobagem monumental que foi copiar a Europa.
O vice leva R$ 24,6 milhões.
O campeão do Brasileiro pega R$ 33 milhões. O Grêmio está virtualmente fora desta briga. Encontra-se em 11º lugar com 22 pontos na 17ª rodada. Os líderes Flamengo e Santos estão com 36 pontos, 14 a mais.
Porém, do oitavo lugar para cima o Brasileiro distribui mais de R$ 20 milhões por colocação. O sexto colocado leva R$ 24,7 milhões. Hoje o Internacional está na sexta posição com 27 pontos. 
Desastroso seria o Grêmio nem disputar a final da Libertadores e ficar sem vaga, via Brasileiro, para a principal competição das Américas em 2020.