Hiltor Mombach

Grêmio, eleições / Reparos e retruques

Estamos em tempo de eleição no Grêmio.
Um dos candidatos para presidente, Homero Bellini, divulga no site do Movimento Grêmio Independente seu plano de gestão.
Faz alguns reparos em relação à atual gestão.
Em azul estão alguns destes reparos, respondidos pela chapa da Situação, liderada por Romildo Bolzan, nome indicado por Fábio Koff.
• Categoria de base com significativos recursos financeiros (orçamento de 2014 foi de R$ 18 milhões), no entanto há um alto número de atletas, o que inegavelmente dificulta um trabalho de qualidade na formação.
Orçado não é realizado. A Base está gastando 20% abaixo do seu orçamento. O valor não coloca o Grêmio entre os 10 maiores investimentos do país em Categorias de Base (CB). Além disso, o orçamento contém valores do investimento feito durante toda a formação e que é transformado em despesa quando o atleta se desliga da categoria. Isso deve ser considerado. Quando a gestão Fábio Koff assumiu, o número de atletas médio por grupo da Base era de 45. Hoje se trabalha com média de 30 nos mais velhos e um máximo de 35 nos menores. O alojamento único deu grandes ganhos. A partir do momento que os atletas estão alojados, consegue-se dar igualdade de condição técnica. Todos dormem no mesmo horário, acordam no mesmo horário, fazem as 6 refeições por dia. Há uma melhora no desempenho de todos. A concentração dos atletas em um único local permitiu que melhorássemos o acompanhamento da formação técnica, além de obtermos ganhos na área psicossocial. Tínhamos atletas distribuídos em 12 alojamentos, hoje é apenas 1. Havia 70 alunos alojados, hoje temos 150 e capacidade de alojar 175. Atletas de Porto Alegre, com vulnerabilidade social, não podiam ser alojados, o modelo não permitia. Jovens com 18 anos não eram alojados. Recebiam ajuda de custo para alugar apartamentos. Sem acompanhamento próximo, muitos eram tragados pelo álcool e pelas drogas. Os alunos eram distribuídos em 9 escolas de Porto Alegre, hoje são apenas 2 em Eldorado. Com a política atual, a repetência escolar caiu de 45% para 5%. Os números mostram: as CB do Grêmio passam por uma revolução. Hoje somos modelo no país.
• Déficit nas categorias de base, não sendo equilibrada a despesa e receita decorrente das vendas das revelações.
Dizer que não há equilíbrio entre despesas e receitas nas CB do Grêmio é um atestado de total desconhecimento do modelo adotado pelo clube. A CB contabiliza como despesa todos os investimentos feitos. Contudo, a totalidade dos valores de venda de jogadores pelo Grêmio, independentemente do tempo de permanência na base, entra como receita do futebol profissional. Este modelo é adotado há muitos anos pelo Clube.
• O sistema de avaliação funciona, mas os atletas escolhidos dificilmente são aproveitados pelos grupos principais de cada categoria. Várias alternativas foram criadas, como a criação de grupos no próprio Cristal para uma melhor ambientação destes jogadores, mas nenhuma medida mostrou resultado satisfatório;
Cristal não é CB. É um Departamento do Grêmio com CNPJ próprio, onde funcionam as Escolinhas do Grêmio. Claro que, por uma questão de integração, procura-se aproveitar os jogadores que ultrapassam a idade Sub-11 (CB começa com Sub-12). Nesta gestão procurou-se fazer uma aproximação e a Escolinha é tratada como fonte de captação, como tantas outras escolinhas conveniadas. Porém, os modelos e os métodos do Cristal não têm nada a ver com as CB. São Departamentos diferentes, são unidades e medidas distintas.A avaliação dos atletas das CB é feita de forma pragmática. Além disso, não existe grupo principal e grupo secundário nas CB. Todos os atletas de cada categoria são do grupo principal daquela categoria. Dizer que uma categoria tem “grupo principal” mostra visão distorcida.
• Relacionamento com empresários pouco transparentes;
Hoje, a transparência nas CB é total. As parcerias e os contratos são todos auditados. Não há favorecimento a nenhum empresário. Inclusive, o número de pais que cuidam das carreiras dos atletas subiu de 15% para 48%, através de um trabalho de incentivo da atual gestão. Ou seja, quem cuida da carreira de metade do nosso elenco são os pais e não terceiros. Os empresários que trazem jogadores para a Base do Grêmio, hoje, têm uma posição muito clara, sobre o sistema metodológico, comercial e econômico adotado. O Grêmio tem como regra não ser minoritário em nenhuma ação. Os empresários se enquadram no que o Grêmio define e não o contrário, como era antes. Afirmar que falta transparência é mostra de desconhecimento. Todos os envolvidos sabem claramente como as coisas funcionam. Hoje, não precisa ter empresário para jogar nas CB do Grêmio. Se a família quer contratar um empresário para cuidar da carreira é um direito seu, mas, na gestão Fábio Koff, empresário não garante titularidade. As CB são hoje uma área vital dos clubes. Este assunto exige profissionalismo. Não é admissível atuar nas CB com base no “achismo”.
FUTEBOL PROFISSIONAL• Política de contratação vinculada aos resultados de campo;No futebol profissional do Grêmio os resultados de campo não comandam a política de contratações. A busca de atletas é feita dentro de um perfil traçado, considerando-se as necessidades do elenco.• Inexistência de agente institucional no departamento de futebol;


Este diagnóstico não se aplica ao Grêmio.


• O Grêmio conta hoje com uma política de contratação de jogadores, já profissionais, mas que ainda estão na base nos respectivos clubes. Esse procedimento deve trazer bons frutos nos próximos anos;


Correto. É política da gestão e rende excelentes frutos. Inexplicavelmente, houve quem criticou e ainda critica esta política.


• Equivocada política de contratar atletas próximos aos 30 anos, pagando direitos federativos e com elevado salário. Mesmo que ocorra retorno técnico ao clube, é um procedimento baseado no curto prazo, sem preocupação com a saúde financeira futura do clube.
Esta gestão primou por contratar jogadores chamados pré-prontos, conforme diagnosticado neste mesmo trabalho. Isso é diametralmente oposto a esta afirmação. Não praticamos a política diagnosticada. Esta é uma percepção que só pode estar embasada em observação equivocada ou feita sem a adequada perspectiva temporal.
FINANÇAS Diagnóstico atual:• Dívidas negociadas;• Despesa financeira alta em decorrência de juros elevados embora as cotas de televisão signifiquem garantia concreta;• Incremento de receitas;• Adiantamento de receita recorrente;• Venda de Direitos futuros (tv, fornecedores…);• Obrigações em dia;• Organização administrativa;• Receita de venda de atletas é pontual;• Utilização da Lei do Incentivo ao esporte para financiar as categorias de base e outras melhorias que visem ação social no clube.
A situação financeira do Grêmio é similar a da maioria dos clubes brasileiros. Porém, podemos dizer que é melhor do que se depreende da leitura das informações divulgadas na imprensa. Quando assumimos, havia R$ 59 milhões de receitas antecipadas. Eram valores que deveriam ser recebidos na nossa gestão e já haviam sido gastos antes da nossa posse. Estamos trabalhando para equacionar esta questão. Fizemos avanços importantes. A venda de alguns atletas “pré-prontos” adquiridos por esta Direção ajudou muito. Estamos construindo alternativas que ajudarão na busca do equilíbrio. Ações como os Greminis, a Hamburgueria 1903, a renegociação de contratos (inclusive a cessão onerosa da Arena) e outras que estão sendo gestadas pavimentarão o futuro do Grêmio. A modernização administrativa, que será implementada juntamente com os softwares da SAP, nos colocará em outro patamar de gestão. O resultado do trabalho que vem sendo feito nas Categorias de Base já é visível e, se não for interrompido, terá papel fundamental na formação de craques para buscarmos títulos e consolidará a redenção econômica do Grêmio. Em 3 ou 4 anos, poderemos ser o clube com a melhor situação financeira do Brasil. As bases estão lançadas. Temos que seguir em frente.