“Caro Hiltor:
Resta ainda, por dever de justiça e respeito ao ser humano, antes do atleta e pela descortesia para com o Juventude e, em especial, pela ética ferida com o seu Departamento Médico, por sinal dos mais competentes, resta ainda, repito, o último capítulo.
Diante da compacta revolta dos seus sócios e torcedores e logicamente pela repercussão negativa, como se o clube tivesse sido leviano, viu-se na obrigação de emitir uma Nota Oficial e que está à disposição no site e em outros sítios das redes sociais.
Por outro lado, o próprio Caíque, também emitiu a sua Nota de Esclarecimento.
Muito triste.
Uma lástima que as coisas tenham chegado a esse ponto.
Caíque já jogou cinco jogos na Série A, após o seu retorno aos gramados, sem nada sentir e cumprindo atuações de alta categoria, como é o do seu hábito.
Ora, qualquer cirurgia, por mais banal, sempre deixará suas sequelas, não necessariamente patológicas, apenas resquícios de algo foi feito.
Até uma cicatriz de apendicectomia persiste pela vida inteira com a sua "marquinha" na fossa ilíaca direita.
Pedro Geromel não passou por intervenções de maior gravidade e não retornou a jogar?
Veja-se o caso do Internacional, às voltas com lesões de joelhos em seus jogadores, similares as do Caíque. Bruno Gomes e Fernando não poderão mais jogar????
E o que se dizer de Mercado, com dez anos a mais do que Caíque, de regresso aos treinamentos?
Se tal lesão impedisse um atleta de seguir adiante a sua carreira, Ronaldo Fenômeno, seriamente contundido no joelho, quando na Internazionale, não teria se sagrado pentacampeão mundial e muito menos goleador da Copa de 2002.
Não dá para silenciar.
Enquanto isso, Caíque voltou a mil aos treinos e disposto a prosseguir a sua bela carreira.
Mas, como "patrimônio", ele e o Juventude saíram literalmente lesados.
Não fisicamente.
Mas, moralmente.
Eu espero que o amigo leve em conta alguns desses meus argumentos.”
Abraços e Muita Saúde!
Chico Michielin*
Chico é médico cardiologista
Grêmio, Juventude e Caíque: “Resta ainda o último capítulo”
“Ora, qualquer cirurgia, por mais banal, sempre deixará suas sequelas, não necessariamente patológicas, apenas resquícios de algo foi feito”
