Hiltor Mombach

Grêmio, Lanús e o tempo

Sou do tempo dos clichês, das frases feitas. Confrontos como este de amanhã entre Lanús e Grêmio pela final da Libertadores e fora de casa vinham acompanhados da seguinte sentença: tem que jogar com o regulamento embaixo do braço.
Isto significava entrar em campo para manter a vantagem, qualquer que fosse.
Na prática, o negócio era amorcegar, picotar a partida com pequenas faltas, tornar o relógio inimigo do rival.
Felipão surpreendia algumas vezes fazendo o contrário.
Mandava o time montar no adversário no primeiro minuto.
O inesperado funcionava com um choque. Ao propor o jogo, encurralava o inimigo, tornando tenso o clima nas arquibancadas.
Acho, muito por intuição e um pouco por achômetro, que Renato tentará aplicar lá o mesmo veneno que o Lanús tentou, sem sucesso, aplicar na Arena: tocar a bola, tocar a bola, tocar a bola, fazer o tempo passar, enervar os argentinos. Esperar o momento certo para dar o bote, quem sabe num contra-ataque.
Aqui, o Lanús foi, demasiadamente frio, gelado. Em casa, vendo o tempo voar, que 90min voam, abrirá mão desta sua fleuma.
Hora ou outra, terá que se abrir.
Não sei se o tempo é senhor da razão.
Sei que pontualmente neste caso contra o Lanús.