Hiltor Mombach

Grêmio pode comprar a Arena num leilão

Por que a Arena do Grêmio não pode ser comprada (a gestão) antes de um acordo entre os credores da OAS?
Enviei esta pergunta para o escritório que trata da recuperação da OAS. Resposta:
“Informamos que a Assembleia Geral de Credores (AGC) do Grupo OAS foi suspensa para continuação no dia 10/11/2015, sendo que nessa oportunidade apenas os credores já credenciados na AGC de 29/09/2015 poderão participar com direito a voz e voto. Alvarez & Marsal, Administradora Judicial”.
Réplica: “OK.
Isto eu sei.
Preciso saber porque o Grêmio não pode comprar a gestão da Arena antes da conclusão da AGC”.
Estou aguardando a tréplica, que certamente não virá.
No plano de recuperação judicial consta como integrante do Grupo OAS “a SPE Gestão é sociedade holding não operacional, cujo único ativo é a integralidade das ações emitidas pela sociedade Arena Porto Alegrense S.A. Esta última, por sua vez, é a detentora do direito de superfície sobre a Arena do Grêmio, estádio do Grêmio”.
Com uma dívida de R$ 9,6 bilhões para ser equacionada, a Arena surge como um grão de areia nestes cinco saaras de pepino.
Consulto um advogado especialista em recuperações judiciais.
Explico o assunto. “Ninguém pode receber nenhum tipo do privilégio.
Neste caso, os bancos que emprestaram o dinheiro para a OAS estariam sendo privilegiados por receberem 100% do investimento.
Como reagiriam os credores que receberão 10%, 15%?”
Ouço aqui, ali e todos pedem para que eu mantenha seus nomes em sigilo. Ninguém quer ver a entrevista publicada.
A Alvarez & Marsal certamente alegará segredo contratual.
Concluo que a compra da gestão da Arena é complicadíssima e extremamente complexa, um verdadeiro jogo de xadrez.
Depende de muitos fatores, não apenas do Grêmio e da OAS.
Alguém me diz que poderá se dar, inclusive, através de um leilão.
Mais: o leilão já faria parte do plano B do Grêmio.
Influentes dirigentes gremistas não descartam esta hipótese, embora mantenham a convicção de que o caso poderá ter outra solução.