Hiltor Mombach

Grêmio unido?

Amigos, se há uma palavra que vem sofrendo um aviltamento é esta: união. Alguém retrucará que as palavras degeneram. Verdade. Porém não com tamanha celeridade

 Passo os olhos pelos planos de gestão dos candidatos ao cargo máximo do Grêmio.
Volta e meia, no papel, surge e ressurge o termo união.
Amigos, se há uma palavra que vem sofrendo um aviltamento é esta: união. Alguém retrucará que as palavras degeneram. Verdade. Porém não com tamanha celeridade.
O clube deve estar batendo nos 30 movimentos políticos.
Quando escrevo devem ter sido fundados mais dois ou três.
Em tempos eleitorais, há um cínico ajuntamento de grupos. Incautos, os torcedores não percebem a manobra.
Nelson Rodrigues diz, em uma das suas crônicas: "se me perguntassem qual a mais feia impostura da nossa época, eu daria a seguinte e fulminante resposta: — é a cínica promoção que se faz do jovem." Eu acrescentaria mais uma: a cínica promoção que se faz da palavra união.
Vejam Romildo. Em 2019, 17 movimentos se uniram em torno da "Chapa 2: Todos Somos Grêmio com Romildo Bolzan". Quando da abundância de títulos, Romildo viajava como timoneiro num navio lotado. Veio a descendente e com ela o grito "todos ao mar".
Hoje e sempre, o Grêmio será a negação da união, a anti união.