"Nos conturbados corredores do CT gremista, a saída do maior ídolo da história do clube, Renato, somada ao enfraquecimento da figura do presidente Romildo Bolzan Jr., tem demonstrado a falta que fazem grandes figuras públicas e de personalidade forte no ambiente do futebol. Vestiário, liderança e uma atmosfera positiva, não raramente, impulsionam os resultados de campo.
A máxima é confirmada em um dos muitos episódios relatados no livro “Jornalismo e vestiário: histórias e bastidores contados por um assessor de imprensa”, assinado por João Paulo Fontoura, assessor de imprensa do Grêmio entre 2010 e 2020. Disponível em pré-venda no site www.jornalismoevestiario.com.br
Em um dos trechos da obra, o autor recorda um período de vacância em um cargo de alto poder e com um personagem em comum ao vivido no cenário atual do clube: Carlos Amodeo.
Missão não cumprida
Desde a saída de André Zanotta (2019) do cargo de diretor executivo do Grêmio, houve uma série de especulações internas e externas acerca do nome que sucederia o dirigente no comando da pasta mais importante do clube. Adepta a processos, embora nem sempre os cumpra, a direção realizou uma espécie de sabatina com potenciais candidatos. Conversas a portas fechadas nos gabinetes da alta cúpula foram insuficientes para que o sigilo fosse preservado. Mais de um nome vazou (ou foi vazado) na imprensa.
Quem herdou o cargo e “passou nas provas” deixou o clube em setembro de 2020, afirmando em entrevistas jamais ter tido autonomia na pasta. Estranho que, enquanto esteve empregado, nunca mostrou essa insatisfação. O nome predileto do presidente, dos dirigentes do futebol e do vestiário passou também por esses crivos e atingiu as exigências para tomar posse. Uma delas, e talvez a definitiva para não ter sido escolhido, foi não abrir mão de manter trânsito direto entre vestiário e gabinete presidencial sem interlocuções no caminho.
Pressionado por perda de autonomia com o passar do tempo, o presidente não se deu por vencido quando tentou duas outras vezes trazer para o Grêmio o nome de consenso. Verdade seja dita, não é tarefa fácil ir ao mercado e bancar a contratação de alguém de enorme prestígio e, ainda por cima, ter que negociar politicamente as atribuições desse profissional. Sabedor disso, Romildo foi até a cidade do seu alvo para tentar convencê-lo a aceitar o terceiro convite pelo terceiro ano seguido. E o fez discretamente, pois não houve permissão da entidade empregadora para que o encontro acontecesse.
Assim como das outras duas tentativas e ao contrário do que foi veiculado pela mídia, a resposta sempre foi positiva à oportunidade. As duas negativas anteriores, no entanto, foram costuradas como um desacerto financeiro, o que livrava a barra de um dos lados da história. O terceiro “não” tinha o mesmo motivo do primeiro e do segundo: “não dar satisfação para determinadas pessoas”, uma delas inclusive escalada para conduzir as entrevistas. Um amigo
em comum de um dos entrevistados para o cargo disse a melhor frase quando ficou sabendo da história: “Se eu estou onde tu estás, quem faz as perguntas sou eu e não ele”. A primeira procura foi feita diretamente pelo presidente, anos antes, preocupado com situações internas de gestão e ainda sem um único título no currículo. Na segunda, mais tarde e com faixa no peito, o serviço foi terceirizado. A proposta foi feita pelo CEO via WhatsApp e sem garantia nenhuma de segurança no contrato, prevendo um “não” como resposta. Como recebeu um inesperado “sim”, teve que partir para entrevistas por Skype e presencial. O que seria mera formalidade, dada a aceitação do “candidato”. Sem se dar por vencido, o dirigente interpôs outras questões que justificassem o desacerto. O Conselho de Administração resolveu escolher o plano B. O plano A seria missão para Romildo um ano mais tarde, cara a cara. E a missão novamente foi um fracasso.
O futebol é capaz de muitas coisas. Uma delas é chegar em um determinado lugar com missões a serem cumpridas, mudar de rumo no caminho, cavar uma trincheira e ali se proteger, trocar de lado se for mais seguro e ali permanecer até que alguém perceba suas ações. Enquanto elas forem do agrado ou estiverem no nível de tolerância de quem está no poder, segue o baile, mesmo que a música seja melancólica.
Sobre o livro impresso
“Jornalismo e vestiário: histórias e bastidores contados por um assessor de imprensa”
Autor: João Paulo Jobim Fontoura
Edição: Capítulo 1 – Conteúdo e Design Editoriais
Páginas: 288 mais encarte de 16 páginas com fotografias
ISBN: 978-65-992925-4-5
Pré-venda: www.jornalismoevestiário.com.br
Preço: R$ 60,00 + frete.
Na pré-venda (até o dia 15 de agosto), o valor será de R$ 50,00 + frete.
