Hiltor Mombach

Grêmio e Inter acham que apenas admitir a crise financeira vai resolver o problema

Futebol ruim dentro de campo é apenas reflexo do momento que vive a Dupla Gre-Nal fora de campo

Gre-Nal de baixo nível técnico não é mais uma surpresa, dado o momento da Dupla
Gre-Nal de baixo nível técnico não é mais uma surpresa, dado o momento da Dupla Foto : Fabiano do Amaral

Carlos Corrêa / Interino

O futebol precário demonstrado por Inter e Grêmio no primeiro Gre-Nal das quartas de final na última quarta-feira, no Beira-Rio, é apenas a parte mais visível de um problema muito maior que se acumula por anos e parece não ter mais tapete suficiente que consiga esconder tantas irresponsabilidades em sequência varridas para baixo dele. Sempre se soube que empurrar o problema com a barriga daria muito errado em certo momento. Pois bem, o momento se aproxima com a velocidade de um Fórmula 1.

Essa semana, antes de a bola rolar, tivemos dois ótimos exemplos. Ou melhor, péssimos exemplos. Ambos, coincidentemente, no mesmo dia. O primeiro aconteceu com o Grêmio. O clube recebeu uma notificação da Agência Nacional de Regulação e Sustentação do Futebol (ANRESF) de que não poderia registrar novos eventuais reforços, já que havia incorrido no chamado Evento de Insolvência.

O problema era o nome?

O repórter Lucas Mello, é claro, publicou a matéria no site do Correio do Povo acerca do assunto. Minutos depois, a assessoria do Grêmio entrou em contato solicitando uma correção. A alegação é de que não era o agora famoso transfer ban, como apontava o título da matéria. O problema em si era o de menos, o que importava era o nome. Detalhe, trecho do documento da ANRESF: “O que é o bloqueio preventivo de registro: o bloqueio preventivo é uma trava no sistema de registro de atletas da CBF, mais conhecido como transfer ban”. Se o problema era o nome, temos também um problema então.

O caso colorado é ainda mais complicado. No final da tarde de terça-feira surgiu a informação de que o clube havia sofrido um transfer ban. Em um primeiro momento, o Inter não divulgou o nome do jogador que motivou o caso, o que consequentemente gerou especulações. Carbonero? O jovem Benjamin? Tamanhas são as dívidas não pagas pela direção que não era nem um, nem outro.

As dívidas viraram rotina

Era o zagueiro Juninho. Mais tarde, a direção admitiu que já esperava a punição – e não por acaso acelerou os reforços de Sanabria e Eliasson na semana anterior. A declaração veio como quem fala de uma negociação que não teve sucesso, com ares de trivialidade. O Inter chegou ao ponto em que o anúncio de uma medida extrema da Fifa virou algo rotineiro.

Não bastando isso, há ainda a informação de que a decisão dos jogadores colorados em não concentrar para o clássico Gre-Nal aconteceu em virtude de um atraso salarial e dos direitos de imagem que já chega a dois meses. “Nunca escondemos a dificuldade financeira”, afirmou o presidente Alessandro Barcellos.

Apenas ser transparente não basta

É verdade, mas apenas admitir que o clube está financeiramente no fundo do poço não vai mudar muito a situação. Ainda mais quando a atual direção errou tanto em contratações, gastando o que podia e o que não podia.

As direções podem naturalizar o tema o quanto quiserem. O problema seguirá existindo. Com a implantação do Fair Play Financeiro no Brasil, no entanto, convém mais seriedade. O regulamento prevê, em casos extremos, perda de pontos ou rebaixamento. Vez por outra, alguém é pego como exemplo. Convém não estar na linha de mira nessa hora.