Tenho reiterado que Internacional e Grêmio precisam montar time para serem protagonistas outra vez.
Isto retira do treinador a responsabilidade.
Sem um ótimo grupo de jogadores ele não pode montar um timaço para ser protagonista.
Venho incorrendo num equívoco, atropelando a história do futebol gaúcho.
Nesta semana publiquei uma coluna contando como Fábio Koff escolheu os jogadores para montar aquele Grêmio multicampeão da década de 90.
Arce, Dinho, Goiano, Jardel, Paulo Nunes...
Duvido que até mesmo o torcedor mais otimista apostaria que dessem samba.
Ou um outro Grêmio, o de 1981, que conquistou o primeiro Brasileiro.
Era tarde de 3 de maio de 1981.
FAÇANHAS
Mais de 95 mil torcedores lotaram o Morumbi para acompanhar o jogo da final.
O São Paulo precisava vencer por dois gols de diferença para conquistar o título.
Aos 9 minutos finais, Baltaza silenciou o estádio: 1 a 0. O São Paulo ainda tentou reagir e teve um gol de Serginho Chulapa aos 43 minutos, mas já era tarde: o placar agregado de 3 a 1 dava ao Grêmio sua primeira conquista do Campeonato Brasileiro.
São Paulo: Valdir Peres; Getúlio, Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas; Élvio, Renato, Everton (Assis); Paulo César, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva.
Grêmio: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Vílson Taddei (Jurandir), Paulo Isidoro; Tarciso, Baltazar e Odair (Renato Sá). Técnico: Ênio Andrade.
Pode não ser apenas uma coincidência.
Inter e Grêmio foram gigantes comandados por treinadores identificados com o Rio Grande do Sul, sendo três deles gaúchos, Tite, Ênio Andrade e Felipão, e o carioca Abelão, que retornou ao Beira-Rio para evitar o rebaixamento e permanecerá como diretor em 2026.
FATORES
Uma combinação de fatores ajuda a entender a montagem de um time campeão.
Seguem alguns tópicos sobre o assunto.
Achava que o São Paulo era melhor do que aquele Inter de 2006.
Na dúvida, conversei com dirigentes da época. Segundo eles, era melhor, sim.
Mas o Inter levou a Libertadores. Pela imposição física, muitos jogadores altos, acima de 1,80 metro, e com perfil muito bem estudado antes de desembarcar no Beira-Rio.
Lembro inclusive de um título do UOL após o primeiro jogo da decisão, vitória diante do campeão mundial São Paulo: "Internacional ignora atributos do São Paulo e vence primeira final".
Os times: Sâo Paulo: Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos (Aloísio); Souza, Mineiro, Josué, Danilo (Lenílson) e Júnior; Leandro (Richarlyson) e Ricardo Oliveira. Técnico: Muricy Ramalho.
Internacional: Clemer; Ceará (Wellington Monteiro), Fabiano Eller, Bolivar e Jorge Wagner; Edinho, Fabinho, Tinga, Alex (Índio); Rafael Sobis (Michel) e Fernandão. Técnico: Abel Braga
Quem desconhece o mercado acaba contratando jogadores mais conhecidos do torcedor.
São as chamadas estrelas.
O Inter trouxe ao mesmo tempo Borré e Valencia.
O scout deveria ser usado apenas como mais uma ferramenta pelos dirigentes. Porém é ele que define quem vai desembarcar.
TREINADOR
Dos ex-dirigentes entrevistados só ouvi elogios ao novo treinador, Paulo Pezzolano.
E um conselho: a direção deve fazer o possível para buscar jogadores que atendam ao perfil de time que Pezzsolano pretende montar, uma equipe com intensidade, agressividade e uma filosofia de jogo ofensiva e vertical.
Juventude
Grêmio e Inter jogaram fora a receita de montar time
Tenho reiterado que Internacional e Grêmio precisam montar time para serem protagonistas outra vez. Isto retira do treinador a responsabilidade.
