Hiltor Mombach

Grêmio, Inter, o fair play e o instinto de sobrevivência

O fair play financeiro é como um grande banco ditando normais financeiras para o favelado. Não há igualdade entre desiguais.

No geral, Grêmio ocupa a sétima colocação entre os clubes brasileiros
No geral, Grêmio ocupa a sétima colocação entre os clubes brasileiros Foto : Lucas Uebel / Grêmio / CP

Leio que "o fair play financeiro no Brasil, regulamentado pela CBF para iniciar em 2026, é um sistema de sustentabilidade que limita gastos com elenco a 70% das receitas (incluindo transferências/aportes) e restringe dívidas de curto prazo a 45% do faturamento.
O objetivo é impedir que clubes gastem mais do que arrecadam, promovendo equilíbrio. As regras terão transição em 2026-2027, com sanções focadas em sustentabilidade a longo prazo".
O Palmeiras contratou Jhon Arias. Pagou 25 milhões de euros (R$ 155 milhões) ao Wolverhampton.
O Cruzeiro investiu 27 milhões de euros (cerca de R$ 169 milhões) para tirar Gerson do Zenit.
O Flamengo buscou Lucas Paquetá junto ao West Ham pagando 42 milhões de euros, cerca de R$ 260 milhões.
A contratação mais cara da história do Grêmio, Tetê, ficou em 6,2 milhões de euros.
A verdade verdadeira é que nenhum fair play financeiro diminuirá o abismo absurdo entre Flamengo e Palmeiras, e agora o Cruzeiro, para os demais clubes. Inter e Grêmio, para ficar na aldeia, não tem mais para onde correr.
Viraram coadjuvantes.
Gostaria de acreditar que, como no passado, este ciclo irá terminar.
Porém, não vejo luz no fim do túnel.
Pelo fair play financeiro, o Flamengo poderia investir 70% da receita, ou, numa conta de padeiro, R$ 1,4 bilhão. Juntos, Grêmio e Inter poderiam gastar a metade, R$ 700 milhões.
Há anos escrevo sobre os dois Brasis. Há um Brasil nababo, que se alimenta de ostras e filé mignon e ataca de Dom Pérignon e caviar e um Brasil que entra na fila osso.
Flamengo e Palmeiras, e agora o Cruzeiro, se alimentam de ostras e filé mignon e atacam de Dom Pérignon e caviar.
Cometendo uma verdade exagerada diria que os demais clubes entraram na fila osso e até dali estão sendo enxotados.
Gastam mais do que podem por instinto de sobrevivência.
O fair play financeiro é como um grande banco ditando normais financeiras para o favelado.
Não há igualdade entre desiguais.
Não há para onde correr.
O fair play financeiro engessará gigantes como Grêmio e Inter, mas sem fair play financeiro eles afundarão.
Não é culpa der Flamengo nem de Palmeiras.
É a realidade.