GUIÑAZU
Guiñazu é um ídolo dos colorados. O maior da atualidade. O torcedor apega-se aos ídolos e espera, como reciprocidade, fidelidade. Há jogadores que, além de ídolos, transformam-se em heróis. Na mitologia grega, os heróis eram semideuses. Guiñazu está nesta categoria.
A procuração assinada por Guiñazu dando poderes ao empresário Fabiano Ventura de negociar “uma possível proposta de trabalho para o São Paulo Futebol Clube” sugere que, enquanto entregava-se ao Inter em campo, o capitão pensava em outro time. Até para o torcedor menos passional isso sugere traição. Cometendo uma verdade exagerada, diria que só dois personagens da vida atual colorada estão proibidos de cometer o pecado da traição: Fernando Carvalho e Guiñazu.
Li uma notícia dando conta de que Guiñazu teria pedido desculpas aos dirigentes do Inter. Mas não é aqui que eu quero chegar. Guiñazu deve desculpas públicas, com explicações, aos torcedores, aos seus fãs. Mais: deveria ter sido orientado pelo seu empresário, assessor de imprensa, se é que tem um, ou forçado pelo próprio Inter a convocar a imprensa para tanto. Mas, e há sempre um mas em tudo, alguém já disse que quem cala, consente. Acho, e só acho, que o capitão não fala pois seguem as negociações com o São Paulo. O silêncio me obriga a pensar assim. Se não há negociação, que ele diga. Mais: se tivesse que apostar um café, apostaria hoje que ele jogará no São Paulo em 2010. Se o negócio não der certo? Bem, aí ficará o dito pelo não dito: todos jurarão que Guinãzu é colorado desde criancinha.
