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O brasileiro desconfia do que entende. Quando o discurso é muito forte, quase sempre estão jogando para o povo; já a irritante cantilena esconde um outro jogo, o do esconde-esconde, do corporativismo, do vamos deixar o tempo passar que a imprensa e a sociedade largam do pé quando a tragédia se transferir dos cemitérios para os tribunais. Há de se ficar de vigília. A sociedade, os familiares das vítimas e nós, jornalistas. Ninguém nem sonha com um julgamento apressado que resulte em injustiça. O que se exige é uma apuração isenta. Pode levar o tempo que levar, mas que se faça valer a Justiça. Lembro aqui que a Justiça da Argentina decretou a prisão dos 14 condenados pela tragédia na boate República Cromañón, em dezembro de 2004. Omar Chabán, o responsável pelo local, foi condenado a dez anos e nove meses. O prefeito de Buenos Aires na época, Aníbal Ibarra, foi destituído do cargo. ............................ Nestes mais de 40 anos morando em Porto Alegre assisti centenas de blitz, quase todas retirando camelôs que vendiam camisetas, tênis, CDs piratas... Camelôs que a sociedade procura em busca de produtos mais baratos. Nunca, nenhuma vez, assisti uma blitz fiscalizando qualquer tipo de casa noturna em pleno funcionamento para conferir lotação, saída de emergência e outros que tais.