Hiltor Mombach

Há muitos Brasis neste Brasil

O salário do futebol é um acinte com o Brasil que vai ao açougue para comprar osso

Perguntei para importante dirigente quanto Renato gostaria de ganhar para seguir no Grêmio.
Silêncio.
Chutei um número, R$ 1 milhão por mês.
"Um pouco mais".
Especulei R$ 1,2 milhão.
"É por aí".
uando veio, em 2016, ganhava R$ 500 mil. 
Em 2016 o salário mínimo era de R$ 880,00.
Em 2021 saltou para R$ 1.100,00. Agora está em R$ 1.212,00.
Há muitos Brasis neste Brasil.
Há um Brasil que passa o pires na rua da Praia e um onde o dinheiro parece dar em árvore. 
O Brasil nababo é um deboche, um escárnio.
Os clubes de futebol são os filhos queridos desta Nação.
Quebram não quebrando.
Quando pré-falidos chega o socorro governamental travestido de Refis, Profut ou qualquer coisa parecida. 
Impossível digerir salários tão escandalosos.
É um acinte com o Brasil que vai ao açougue para comprar osso.
Mente descaradamente quem diz tratar-se da lei do mercado.
Com os clubes falidos, trata-se de outra coisa, de falta de pudor, falta de respeito.
Vamos aos fatos.
Em 10 anos um assalariado receberá R$ 150 mil, arredondando para cima. Douglas Costa recebeu dez vezes isto a cada 30 dias mês. Ficasse até o final do contrato, em 2023, pegaria mais de R$ 40 milhões.
De amores juramentados ao Grêmio, o jogador rescindiu aceitando receber uma bagatela, cerca R$ 10 milhões.
Como se vê, em cada coração bate forte um cifrão.
Há qualquer coisa de humilhante em valores tão astronômicos.
Falei do Grêmio como poderia falar do Inter.
Em 2016, a Justiça condenou o clube a pagar dívida de R$ 4,7 milhões com Diego Forlán referentes à rescisão contratual em 2014.
Escrevi e repito. Houve um tempo em que salários tão astronômicos rendiam manchetes. Nem notinha de rodapé recebem mais. O Brasil que passa o pires e compra osso parece anestesiado. 
Estamos falando de salários nababescos  para um futebol verde-amarelo risível.
Pagamos por um espetáculo terceiro-mundista.
Os jogadores da Série estão na Europa, os da B espalhados pelo mundo.
Aqui, joga-se a Série C. Tenho dito.