Abro a coluna com a seguinte observação: o Brasil de 1987 era o mesmo Brasil de 2024. Há, amigos, um Brasil que não envelheceu nestes 37 anos, o do futebol.
Os clubes, com cada vez mais raras exceções, continuam sendo comandados por dirigentes mestres do improviso. De quebra, há um grau de vaidade que humilharia Narciso.
Quando o assunto é futebol o diálogo sucumbe ao monólogo.
O patético é que o futebol vem sendo reescrito por inventores de uma roda que não roda.
Aos fatos. Em 7/07/1987, a CBF anunciou que não poderia organizar o Brasileiro daquele ano. Não havia grana. Foi criada a União dos Grandes Clubes Brasileiros, que viria a ser o Clube dos 13.
A primeira desunião veio com parte dos clubes vetando a transmissão dos jogos pela Globo. Motivo: afastaria o público dos estádios.
Aconteceu o contrário. Reza a lenda urbana que Odone foi tomado por tremores quando da oferta de patrocínio da Coca-Cola...em vermelho.
A marca acabou estampada em preto.
Outra lenda urbana dá conta de que o presidente do Corinthians, Vicente Matheus, disparou furioso quando da assinatura de uma das proposta:
"O Corinthians não assina. Se é bom para o São Paulo, não é bom para o Corinthians".
Aqui, abro um parêntese: presidente do Clube dos 13 desde 1996, o visionário Fábio Koff decidiu por uma licitação para a negociação dos direitos de televisão cde 2011/13, seguindo exemplo da Uefa. Prossigo.
Fábio Koff caiu por um golpe tramado nos porões da CBF e seus penduricalhos. Em depoimento a Paulo Flávio Ledur e ao seu filho, o jornalista Paulo Silvestre Ledur, num livro de mais de 240 páginas, Koff revelou:
"O Ricardo Teixeira nunca se convencera por eu não pagar qualquer percentual para a CBF. Pois ele passou a pedir 15% do contrato. Eu dizia: pede por escrito. Ele nunca pediu, e eu nunca paguei."
Poder, vaidade, dinheiro, ambição...
Em 2011 implodia o Clube dos 13.
Aqui, salto no tempo.
O economista Cesar Grafietti escreve para o site Inteligência Financeira:
"Ligas são importantes para o desenvolvimento do produto.
Desde que seja criada a partir de premissas e bases sólidas, e com a expectativa justa.
A liga trata do campeonato, não dos clubes. Trata todos da mesma forma.
Ela pensa o jogo, não o time."
Segue: "Claro que a maior parte dos envolvidos não sabe, nem sabia, o que se passa no cenário de direitos de transmissão, nem sabe o que é internacionalizar a marca de um clube, e seus resultados."
Os dirigentes não pensam na Liga como um produto.
Pensam em como seus clubes podem levar vantagem sobre os outros.
Há um Brasil que não muda
Abro a coluna com a seguinte observação: o Brasil de 1987 era o mesmo Brasil de 2024. Há, amigos, um Brasil que não envelheceu nestes 37 anos, o do futebol.
