Hiltor Mombach

Hélio Dourado, o grande

Não vai tanto tempo assim.
Toca o celular.
É Hélio Dourado.
Queria falar comigo pessoalmente.
Fui até o seu apartamento.
Hélio Dourado trouxe uma série de documentos provando ter sido um péssimo negócio a troca do Olímpico pela Arena.
Não havia mais volta, mas o eterno presidente seguia inconformado.
Ele queria um novo estádio onde estava o Olímpico.
Contratou pessoas para provar o erro que o clube estava cometendo.
Foi chamado de "gagá" por alguns dos seus desafetos, que queriam o negócio porque queriam.
Hoje se sabe quem estava com a razão.
A Arena ainda não é do Grêmio.
Não a sua gestão.
Fui amigo de Hélio Dourado por quase quatro décadas.
Fui, sou e continuarei sendo seu fã número 1.
Seu mais profundo admirador.
Um homem inconformado até o fim.
Um gigante incansável na batalha pelo seu amado Grêmio.
Homem de caráter.
Jamais se serviu do Grêmio.
Poucos serviram tanto ao Grêmio.
Vá com Deus querido amigo.
O Grêmio ganha hoje uma nova estrela.
Lá, onde estão os eternos.

NOTA DO GRÊMIO

É com imenso pesar que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense comunica o falecimento do ex-presidente e patrono, Hélio Dourado. Neste momento de dor, o Clube se solidariza com os seus familiares e amigos.

Reconhecido como um dos maiores dirigentes gremistas, Hélio Volkmer Dourado tem uma vida dedicada ao Grêmio. Nascido em Santa Cruz do Sul no ano de 1930, tornou-se sócio do Clube aos 11 anos de idade.

Chegou a atuar pelos aspirantes, mas decidiu seguir a carreira de médico. Porém, jamais abandonou o Tricolor. Aos 24 anos, comprou sua cadeira cativa no recém inaugurado Olímpico, estádio que ajudaria a concluir no início da década de 80. Cada vez mais atuante no dia a dia do Clube, foi alçado ao cargo de Conselheiro em 1967 começando, efetivamente, seu trabalho nos bastidores. Após passar por diferentes vice-presidências, foi eleito presidente pela primeira vez em dezembro de 1975. Exerceu seis anos consecutivos de mandato, até o final de 1981. Neste mesmo ano, levou o Tricolor ao título de Campeão Brasileiro, ultrapassando as fronteiras do Estado. Na sequência, sempre participando das principais decisões, passou a trabalhar em diferentes setores da instituição: no final da década de 90, foi vice-presidente de Patrimônio, de 1998 a 2000. Na sequência, foi presidente da Comissão de Obras, até 2004. No mesmo ano, chegou a assumir a vice-presidência de futebol.

Sua trajetória dentro do Clube rendeu inúmeras, e merecidas, homenagens: em 1997, foi agraciado com o título de Grande Benemérito, um feito para poucos. Em 2011, ao lado dos campeões Roger e Émerson, deixou sua marca na Calçada da Fama do Estádio Olímpico. Dá seu nome ao Centro de Treinamento que ajudou a construir, em Eldorado do Sul.

A história e a personalidade de Hélio Dourado se confundem com a própria história do Grêmio. Foram anos de dedicação e de entrega, que colocaram o Clube no patamar mais alto. Uma história que jamais será esquecida.

O velório irá ocorrer hoje na Arena, a partir das 15h. Amanhã, quarta-feira, no Crematório Metropolino de Porto Alegre, acontece às 10h a cremação.

A reunião do Conselho Deliberativo, que ocorreria nesta noite foi cancelada.