Há muitos Brasis neste Brasil. Há um Brasil passa o pires na rua da Praia e um onde o dinheiro parece dar em árvore. Vai algum tempo ouvi de um dirigente do altíssimo escalão de um Grêmio em remodelação que o clube não pagaria salários superiores a R$ 300 mil. Falou como quem dá troco em balas. Era quase uma miséria perto de nababos que recebia quase R$ 2 milhões a cada 30 dias.
Não canso de repetir que este Brasil nababo é um deboche, um escárnio. Os clubes de futebol são os filhos queridos desta Nação. É um outro Brasil habitando o Brasil. E, certamente, o Brasil dos clubes não é o meu e o seu Brasil. Quando quebram, viram SAF (sociedade anônima do futebol). Quando a SAF quebrar virá outro tipo de ajuda.
Impossível digerir salários tão escandalosos. É um acinte com o Brasil que vai ao açougue para comprar osso. Mente descaradamente quem diz tratar-se da lei do mercado. Com os clubes falidos, trata-se de falta de pudor, respeito.
O piso nacional é de R$ 1.621 desde janeiro de 2026. Arredondando e incluindo o 13ª, um assalariado ganha anualmente R$ 21 mil. Há jogadores ganhando o triplo num dia.
Quebrado, devendo mais de R$ 1 bilhão, o Inter recebeu, na sexta-feira, uma doação do empresário Delcir Sonda de R$ 20 milhões para pagar atrasados. Precisa de R$ 70 milhões para manter a folha em dia até o final do ano.
Trechos do UOL: "A rescisão contratual amigável de Zé Rafael com o Santos renderá o total de R$ 20 milhões ao meio-campista de 33 anos. Os R$ 20 milhões serão pagos ao atleta por meio de 48 parcelas de R$ 420 mil. Contratado pelo Peixe em fevereiro de 2025, o meio-campista disputou 40 partidas e marcou dois gols com a camisa santista."
Com um endividamento de R$ 935,6 milhões, o Grêmio seguirá pagando os salários do demitido Luís Castro e, agora, de Renato, recém contratado, que ama o clube mas não trabalha de graça. Luís Castro tinha contrato até o final de 2027. Os valores que receberá estão sendo discutidos.
O site Transfermark publicou a evolução das maiores contratações. Em 2022, o Flamengo pagou 12 milhões de euros por Cebolinha; em 2024, o Botafogo gastou 24,1 milhões de euros por Almada e, neste ano, o Flamengo pagou 41,2 milhões de euros, R$ 250 milhões por Paquetá.
Onze dos principais clubes do País possuem dívidas acumuladas que superam a cifra de R$ 1 bilhão. Os cofres estão vazios, mas o dinheiro jorra.
