Hiltor Mombach

Hiltor nas arábias / Parte2

Hiltor nas arábias / Parte2

Sobra muita coisa para contar destas andanças por este mundão. O que nos irrita na hora, nos diverte no futuro. Hoje, quando eu lembro de Roma, não esqueço um mico de dar inveja. Fazia um calor terrível. Algo como 40 graus à sombra. Podia ser menos, mas eu sentia assim. Suava por todos os poros. Para agravar, uma fome de cão.
 
De repente, não mais do que de repente, eis que estes olhos que um dia a terra há de comer enxergam, lá longe, e o longe fica mais longe com o cansaço e a fome, a placa "M" do McDonalds. Apressei o passo. Vai ser McDonalds mesmo! O macarrão fica para outro dia.

A placa "M" dava para numa escadaria e dali avistei trens, muitos trens. Nada do McDonalds. Para encurtar: na segunda placa "M", esbaforido, percebi que havia algo de errado. Também dava para uma escadaria com...trens. Obviamente, e o óbvio só passa a ser óbvio quando nos cai a ficha, aquele "M" não era o "M" que mataria minha fome, mas um outro "M", talvez de metrô.

Passado muito tempo estou eu aqui nas arábias. Do hotel, telefono para o repórter Fabrício Falkowski para saber o local do treino do Inter. "Estou no Sultan Bin Zayed. É aqui". Este jornalista transformado em tuiteiro e blogueiro entrou no táxi e lascou: "Go to Bin Zayed".

Quanto mais o táxi de aproximava do Bin Zayed mais eu ficava com a sensação de que havia algo errado. Era um estádio? Ok. De futebol? OK. Mas o que fazia aquela muldidão na frente? Desconfiado, perguntei ao motorista se ali era mesmo o Bin Zayed. Ressaltei a palavra mesmo. O yes dele foi um yes irritantemente convicto, como quem diz fica na tua cara, não torra minha paciência. É aqui. Paga, desembarca e e não bufa. Foi o que eu fiz.

Inacreditável, disse para mim mesmo, a força do futebol. O Inter já arrasta torcedor árabe. E fui me intrometendo aqui e ali. Até topar com um segurança da Fifa. Com dois, três, dez...Ôpa! Tem algo errado aqui. Perguntei a um deles se ali era mesmo, e ressaltei o mesmo, o Bin Zayed. Yes. Era. Era o Mohammad Bin Zayed. Obviamente, e só ali é que o óbvio se tornou óbvio, os Bin Zayed emprestam o nome, ou sobrenome, para tudo. O público era para conferir Pachuca e Mazembe.