Hiltor Mombach

Hoje, porque amanhã...

Vai algum tempo escrevi o seguinte: “Toda tese, da mais obtusa à mais insana, viverá seu momento, mesmo que fugacíssimo, de confirmação e consagração. Estamos diante de uma verdade irretocável. O insensato que duvidasse da genialidade de Pelé, colocando-o no rol dos jogadores medianos, diria, pelo menos uma vez: ‘Viu, eu não disse?’. Sim, até o rei teve dias de nada”.
Disse e repito: não sou coerente quando o assunto é futebol. É comovente o esforço dos coerentes em permanecerem coerentes. Em nome a coerência proferem barbaridades. Como é comovente o esforço de quem tenta fazer da sua tese uma tese imutável. As minhas teses mudam, sofrem adaptações, ventam como venta o futebol, que um dia venta Sul e, no outro, Nordestão.
Uma das minhas teses é de que o Brasileiro iria virar um Paulistão. Mais do que já é, pois dos 20 times da Série A, seis são de São Paulo. Obviamente que minha tese estava muitíssimo bem fundamentada: ciúme, despeito, inveja de um bairrista que vê o Rio Grande do Sul com dois representantes e com chances mais do que remotas de um dia voltar a ter um terceiro. Hoje, quando escrevo, que amanhã tudo poderá ser diferente, temos um paulista na zona de rebaixamento da Série A, o Palmeiras, e nenhum subindo da Série B, pois o G-4 é ocupado por Vitória, Criciúma, Goiás e Joinville. Hoje me sinto como aquele sujeito que aposta todas suas fichas numa tese esperando que dê errado. Hoje, porque amanhã...