Hiltor Mombach

Hoje vou ver o Brasil pensando naquele outro Brasil, o Brasil eterno

Amigos, hoje tem Uruguai x Brasil. A Canarinho é comandada por um interino. Diniz preenche temporariamente o cargo. É o esquenta banco de Carlo Ancelotti.

Amigos, hoje tem Uruguai x Brasil. A Canarinho é comandada por um interino. Diniz preenche temporariamente o cargo. É o esquenta banco de Carlo Ancelotti. 
O italiano trata a CBF com deslavado escárnio, não confirmando se orientará o escrete verde-amarelo. A subserviência da funesta entidade não conhece limites.
Temos um mísero craque que volta e meia é exterminado a coices. Falo de Neymar, que divide opiniões. Para muitos trata-se de um extraclasse. Para os locutores, a Canarinho é feita de craques do goleiro aos atacantes. Nunca uma palavra foi tão aviltada. 
Vai muito tempo, li o seguinte numa coluna de Rafa Klein: 
"O futebol brasileiro não para de revelar craques" é uma hipérbole, que em breve pode cair em desuso. 
Aliás, o termo "craque" tende a se tornar uma metáfora, já que hoje em dia qualquer jogador mediano é classificado dessa maneira. Craque, craque mesmo, é Cristiano Ronaldo, Hazard, Neymar, De Bruyne, Mbapé. Aquele seleto grupo de jogadores que muda um jogo em um lance. Sem metáforas.
Aí você pergunta: e o Messi? Messi é hipérbole.” 
Dizia que hoje tem Uruguai e Brasil. Saudosista assumido, recorro ao imortal Nelson Rodrigues e a suas crônicas: 
“O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente, e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente. Olhem em torno e vejam. É terrível. O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho...”.
Hoje tem Uruguai x Brasil. Em 17/6/1970 teve Brasil 3 x 1 Uruguai. Foi pela semifinal da Copa do Mundo do México. 
A Canarinho formou com Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Pelé e Tostão. No banco, como técnico, Zagallo.
Em alguns momentos a memória é uma estraga prazer. Hoje vou ver o Brasil pensando naquele outro Brasil, sabendo que aquele outro Brasil foi, é e sempre será único.