IBSEN PINHEIRO
Caro Hiltor, velho amigo, colega, ex-chefe:
Quando me perguntas sobre a questão sucessória do Internacional, quase te respondo com um lamento: nada sei. Tem-me faltado tempo e principalmente foco. Estou noutra, como se sabe, e é difícil atender a dois senhores tão exigentes quanto o futebol e a política, no meu caso um mandato em Brasília.
Sei mais da meia-cancha, e não estou gostando. Até agora o Fossatti parece não ter percebido que sem um bom meio de campo não há nem ataque nem defesa num time de futebol. E quem como ele, bota dois volantes com função igual (Sandro e Guinazu num vaivem infernal), na verdade não tem nenhum volante, e, por consequência, fica sem zaga. E sem meio-campo de aproximação o ataque fica órfão.
A política está mais arrumada. Temos uma direção experiente e, o que é mais raro, uma oposição construtiva. Quadros não faltam e tenho certeza de que, com disputa ou sem ela, e com qualquer resultado, nada interromperá a ascensão institucional ininterrupta do Clube, mesmo em meio a oscilações do time.
Mais não saberia te dizer, por falta de participação. Minha assiduidade é na arquibancada ou na TV, em Brasília, pelo menos até 2011, quando, já sem mandato, poderei servir a meus outros senhores, como o futebol, a roda dos amigos e até as saudosas esquinas que quase não mais frequentamos.
Abração do
Ibsen Pinheiro
