A Prefeitura de Porto Alegre liberou algumas atividades a partir de ontem.
O decreto diz que “fica permitido o funcionamento das instalações dos clubes sociais, apenas para o condicionamento físico dos respectivos atletas profissionais contratados, observado o distanciamento mínimo de dois metros entre os mesmos, sendo vedado, em qualquer caso, contato físico ou aglomerações”.
O Inter se apressou em publicar nota onde diz que “em acordo com o decreto publicado pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o Sport Club Internacional comunica que retomará as atividades do Departamento de Futebol Profissional a partir da próxima segunda-feira (4), com a reapresentação da comissão técnica e grupo de apoio. O retorno dos atletas será na terça-feira (5), às 9 horas”.
O jogadores do Grêmio se reapresentam no Centro de Treinamento) Luiz Carvalho segunda-feira.
Há uma queda de braço tendo de um lado os governos federal, estadual e municipal e a CBF e, do outro, alguns sanitaristas. Governo e CBF querem a volta do futebol. Representantes da saúde não têm convicção de que a atividade pode ser retomada quando a pandemia do coronavírus ainda não atingiu o seu pico no Brasil.
A mesma minuta do Ministério da Saúde aponta o futebol como "relevante no contexto brasileiro” dizendo que a “sua retomada pode contribuir para as medidas de redução do deslocamento social através da 'teletransmissão' dos jogos para domicílio" aponta que “a decisão final pelo retorno será dos poderes locais e estaduais”. Quer dizer, não se responsabiliza pelo retorno.
A incerteza quanto ao retorno afeta mais os clubes com maiores problemas financeiros. O Inter encerrou 2019 com déficit menor do que o esperado, de R$ 3 milhões, mas mesmo assim com prejuízo. E sem fluxo de caixa.
Estudo da Pluri Consultoria sobre o balanço do Clorado na temporada passada diz que “após se tornar o clube de maior receita do Brasil em 2012, o Internacional viu finalmente a estagnação financeira de 7 anos chegar ao fim em 2019, com alta de 50% em suas receitas. Houve elevação em todas as frentes, mas o maior impacto veio do crescimento de 168% nas vendas de atletas, que atingiram R$ 135,7 milhões. Por outro lado, o clube não aproveitou a melhora para reduzir o elevado endividamento líquido, que voltou a subir e se aproxima dos R$ 800 milhões.” Diz ainda que a “necessidade de capital de giro subiu 29% para R$ 251,4 milhões e que “endividamento líquido subiu 9% para nível recorde de R$ 794,3 milhões”.
Já a situação do Grêmio e menos tensa e densa. O clube apresentou um superávit nas últimas quatro temporadas e tem vários jogadores na mira dos estrangeiros. Um deles, Everton, vem recebendo sondagens e deve ser negociado.
Tanto Grêmio como Inter não pressionam pelo retorno do futebol aos gramados. Obviamente esperam que isto aconteça o quanto antes possível, mas deixam a decisão para os as entidades sanitárias. No que fazem muito bem.
Incerteza sobre o futuro
Grêmio e Inter voltam aos treinos, mas não ao futebol
