Hiltor Mombach

INDENIZAÇÃO MILIONÁRIA

INDENIZAÇÃO MILIONÁRIA

Por RAFAEL PERUZZO

Luiz Carlos Osório é professor de educação física em Quedas do Iguaçu, no interior do Paraná. É lá nessa cidade e região que ele organiza campeonatos de futebol para crianças e adolescentes. Conhecido como Luizão, o professor leva no currículo o mérito de ter aberto as portas do Sport Club Internacional para uma das principais revelações do clube nos últimos tempos: o atacante Alexandre Pato. Foi num desses campeonatos organizados por Luizão que Pato surgiu para o futebol.
Amigo da família do jogador, Luizão sugeriu ao pai de Pato trazer o garoto para jogar no Inter. A ideia foi rechaçada em um primeiro momento, já que o objetivo era colocar o garoto no Paraná Clube. Sem sucesso na tentativa de jogar no time paranaense, o pai de Pato ligou para Luizão e pediu para que ele fizesse um contato com o Inter.
Como tem trânsito no Beira-Rio, sendo uma espécie de indicador de talentos (mas sem vínculo com o clube), Luizão conseguiu um teste para Alexandre Pato em dezembro de 2001. Na época, ele fez um acordo verbal com o pai do jogador, Geraldo Rodrigues da Silva, no qual receberia 5% de uma futura negociação de Alexandre Pato.
A proposta foi aceita e o atacante não demorou a se destacar. Em 2007, foi vendido para o Milan, da Itália, por 20 milhões de dólares. A partir daí, Luizão passou a cobrar o acordo verbal feito com a família de Pato, mas nunca obteve retorno. Em setembro de 2009, Luiz Carlos Osório entrou com uma ação na Vara Cível da Comarca de Quedas do Iguaçu contra Alexandre Rodrigues da Silva (Pato), Geraldo Rodrigues da Silva, Gilmar Veloz (empresário) e Sport Club Internacional. O motivo: Ação de Indenização por Perdas e Danos Materiais e Morais. O valor da ação: R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais).
“Eu e o pai do Pato éramos amigos. A família dele almoçava na minha casa. Acho que o Pato, com quem nunca tive problemas, não me pagou por influência do pai dele e do Gilmar Veloz”, diz Luizão.
O Inter, sendo uma das partes citadas no processo, tenta trazer o caso para que tramite em Porto Alegre, alegando exceção de incompetência do fórum de Quedas do Iguaçu. O advogado de Luizão, Jairo Batista Pereira, aguarda a decisão da Justiça para que o processo tenha seguimento. “Também tem o fato de o próprio Alexandre Pato não ter sido citado. Estamos tentando fazer isso por meio de procuração. Fazer em nome do pai para que seja válida como sendo do Pato”, explica Pereira.
“Sempre confiei na palavra do Geraldo (pai de Pato). Uma semana antes de ir embora para a Itália, o Pato me mandou uma camisa. Nos três primeiros meses em que estava no Inter, o Alexandre sempre falava de mim nas entrevistas. Minha prova é a confissão dele. Eu fiz o trabalho e quero receber. A família nunca me disse que não iria pagar, mas ficam me enrolando. O Gilmar Veloz disse que iria acertar o meu lado e caiu fora. Ele me tratou bem até a transferência do Pato para a Itália” desabafa Luizão.
O CP tentou um contato com Veloz, mas não obteve sucesso. O advogado confia na vitória de Luiz Carlos Osório no processo. “Todas as partes aferiram lucro, menos o descobridor do talento. As nossas principais provas são as declarações do jogador em entrevistas para veículos de comunicação de Porto Alegre. Será difícil para os réus desconstituir as provas. Existe sim embasamento jurídico para que se prove um acordo verbal”, comentou Jairo Batista Pereira.

RAFAEL PORUZZO é repórter do Correio do Povo. Mais detalhes no Caderno de Esportes desta segunda-feira.