Inocêncio
Inocêncio é filho único de seu José. Uma das mágoas de seu José é não ter conseguido convencer Inocêncio a torcer pelo Grêmio. José se diz o maior gremista do mundo. Inocêncio não tem time. Nem é muito ligado em futebol. Na verdade, é fanático pelo Rio Grande do Sul. O final de domingo foi de bate-boca na casa de seu José.
- Mas bah, pai, tu vais torcer para o Grêmio entregar. Que vergonha!
- Ah, é! Então tu queria que eu torcesse pelo Inter, é.
- Pelo Rio Grande do Sul, pai, pelo Rio Grande. Tu sempre me contou que os gaúchos se uniram na Guerra dos Farrapos.
- E perderam! E perderam! Não te contei essa parte?
- Bah, pai, tô decepcionado. Entregar o jogo é uma desonra.
- Ah, é. Quer dizer então que o meu Grêmio, que não ganhou nada, nem rifa este ano, tem que ganhar o Brasileiro para eles? Guri, tu deve saber que no ano passado eles entregaram para o São Paulo.
- Pô, pai. Tu me ensinou que devemos sempre dar a outra face.
- Também te ensinei que o negócio é olho por olho, dente por dente.
- Bah, pai, tô de cara. Escalar os reserva, juniores. É humilhante!
- Tu ficou louco, piá. Que reserva, que juniores! Reserva e júnior só serve para mostrar serviço. Vamos com o que há de melhor no Grêmio, a nata dos veteranos: Dourado; Marcos Miranda, Kroeff, Meira e Obino; Knijnik, Herrmann, Berdichevsky e Josias; Pacheco e Krebs. Pensando bem, tem muita gurizada neste time. Convoca o Faeco, o Preis e o Koff.
- Pô, ouvi que o jogo pode ser transmitido por TV para todo o mundo. Se o Grêmio entregar, vai ficar ruim para a imagem do Brasil.
- Que imagem, guri. Alguém aqui está preocupado com a imagem do Brasil. Vamos aproveitar e botar o Odone e o Fortunati no time. É jogo de ocasião para fazer propaganda da Copa.
