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Por Fabrício Falkowski e e Rafael Peruzzo
Para muitos, aquele foi o melhor esquadrão que já vestiu o manto vermelho. Mas ok. Mesmo que tal afirmação não seja consenso, na comparação com outros grandes times, como o do Rolo Compressor ou aquele que conquistou o Mundial em 2006, é correto dizer que, pelo menos, aquele foi um dos GRANDES times do Inter em toda a sua história. Foi também a melhor equipe da década de 1970. O Inter de 1975, que conquistou o título do Campeonato Brasileiro e retirou os gaúchos da antessala do futebol nacional, impressionava os adversários. Metia medo até. É assim que, 40 anos depois daquela conquista, recordam alguns dos adversários daquela equipe.
“O Inter era quase imbatível, ainda mais jogando no Beira-Rio”, lembra Tarcísio, ponteiro do Grêmio que enfrentou o Inter duas vezes naquele Brasileirão, com um empate e uma vitória colorada: “Deletei aquele ano da minha memória. Não foi fácil”.
A qualidade do Inter não estava só na técnica. O time colorado, que começou a ser formado no começo da década com a incorporação ano a ano de novos valores, tinha outras características importantes: marcava com força no meio-campo, tinha jogadas ensaiadas, pressionava a saída de bola do adversário, apresentava um fôlego incomum para a época e mostrava uma união interna e um comprometimento com o clube irretocáveis.
O comandante era Rubens Minelli. Trazido de São Paulo, o técnico tinha um temperamento tranquilo. Cobrava, mas dificilmente levantava a voz. Quando o fazia, sempre dentro do vestiário, o negócio era sério. Acima de tudo, era um estudioso da bola. “O Minelli era um cara que te mostrava tudo e ainda tinha o Gilberto Tim como preparador físico. Os dois eram muito bons. Bastava o jogador cumprir o que ele pedia que o time andava. Eu trabalhei com o Minelli depois no Grêmio, ele sempre citava o time do Inter de 75 como exemplo”, relembra Tarcísio.
A base da equipe começava com Manga, o goleiro dos dedos tortos e das defesas incríveis. A zaga tinha o lendário Figueroa, que chegara em 1972 e estava no auge da forma física em 1975. Hermínio e Pontes revezavam-se ao seu lado. As laterais tinham Cláudio Duarte, exímio apoiador, na direita e, Vacaria, na esquerda. O meio-campo, no início da competição, começava com Falcão e seguia com Carpegiani e Escurinho. Na metade da competição em diante, Minelli trocou Escurinho — que transformou-se em uma arma letal de segundo tempo — por Caçapava, dando maior poder defensivo ao time. No ataque, despontavam Lula, que ficou famoso por incomodar os dirigentes durante a semana e os adversários no domingo, Flávio Minuano, centroavante com passagem pela Europa, e Valdomiro. Alguns reservas importantes eram o meia Jair e o lateral Chico Fraga — que entrou nos jogos finais quando Vacaria se lesionou.
“O Inter tinha um grande time, assim como o Cruzeiro. A diferença, na minha opinião, foi o Manga, principalmente na final. Mas também havia o Falcão, o Carpegiani... Era um timaço. O Inter tinha conjunto e grandes jogadores”, lembra o goleiro Raul, que defendia a meta do Cruzeiro naquela temporada.
Naquela época, o Brasileirão era jogada no segundo semestre. O Inter estreou em agosto e foi campeão em dezembro, após disputar 30 partidas. Na seminal, venceu o Fluminense no Rio e trouxe a grande decisão para o Beira-Rio, inaugurado apenas seis anos antes. Depois de um primeiro tempo equilibrado, Figueroa marcou aquele que entrou para a história como o “gol iluminado” no início do segundo tempo. Depois, Manga e a torcida seguraram o resultado até o apito final do árbitro Dulcídio Vanderlei Boschilia.
No ano seguinte, a equipe se manteve. Foi reforçada por Dadá Maravilha e Marinho Peres. Veio o bi e a confirmação do Inter como a principal potência futebolística da época. “O nosso time (Fluminense) era muito bom. O Cruzeiro também era. Mas acho que o título de 1975 ficou em boas mãos. O Inter mereceu, ganhou o título e o confirmou nos anos seguintes. Foi uma honra enfrentar aquele grande”, finaliza Zé Mário.