Hiltor Mombach

Inter: caso das mensagens teve audiência de instrução

O caso está com o relator da comissão de ética e disciplina para diligências e o julgamento não tem data marcada, mas deve acontecer em setembro.

O advogado Mateus Marques entrou com processo em 31/01/ 2022 solicitando que Alessandro Barcellos pagasse R$ 126 mil, mais honorários por ter firmado "com o réu contrato verbal para atuar na defesa dos interesses deste e da Chapa 05, a qual liderava, durante a campanha à presidência do Sport Club Internacional”
Conselheiros pediram a formação de uma comissão para investigar as condutas de Barcellos e do ex-secretário-geral Flávio Ordoque tendo como ponto de partida os diálogos entre Barcellos e Ordoque com o advogado Mateus Marques divulgados por este colunista. 
O caso foi parar na Comissão de Ética.
E está andando.
Na segunda feira, dia 14, aconteceu na comissão uma. 
O caso está com o relator da comissão de ética e disciplina para diligências e o julgamento não tem data marcada, mas deve acontecer em setembro. 
A comissão de ética julga a conduta e não a tentativa de cobrança, que se daria via judicial.
O FATO
O advogado Mateus Marques entrou com processo no dia 31 de janeiro de 2022 solicitando que o atual presidente do Inter, Alessandro Barcellos, pague em sete dias o valor de R$ 126.500,00, mas honorários advocatícios, dizendo ter firmado "com o réu contrato verbal para atuar na defesa dos interesses deste e da Chapa 05, a qual liderava, durante a campanha à presidência do Sport Club Internacional, cuja eleição ocorreu em 15/12/2000."
Consta ainda que "diante da urgência na necessidade do início dos traabalhos, qu ocorreu durante o mês de outubro de 2020, deixaram de formalizar contrato de honorários, acordando as parques que os honorários referentes ao trabalho prestado seriam posteriormente pago".
E que "restou ajustado que os serviços seriam prestados mediante solicitação do próprio réu e do seu designado, sr. Flávio Ordoque, que ocupa o cargo de secretário geral do Sport Club Internacional. Ainda, recebeu solicitações por parte do sr. Guilherme dos Reis Mallet, atual vice-presidente jurídico".
O processo revela fatos ocorridos durante a eleição. Num dos diálogos um dos integrantes da chapa 05 diz "acho que podemos impugnar a campanha".
O processo revela que foi acrescentado ainda um documento, que já havia sido apresentado, pedindo a impugnação da chapa 05.
O fato pode crescer em relevância na medida em que a eleição de 2020 deixou pendengas abertas.
Não vai muito, por meio de uma nota em seu site, o presidente do Inter, Alessandro Barcellos,  se manifestou sobre uma liminar concedida pela Justiça pela chapa de José Aquino Flores. 
A decisão determina uma investigação sobre o funcionamento da votação e uma perícia em todo o sistema de urnas eletrônicas. 
Em sua manifestação, o mandatário reitera que a "ação é direcionada contra as empresas responsáveis pelo sistema de votação utilizado naquela eleição, o qual pretendem os autores seja auditado, e contra o Sport Club Internacional, de quem é exigido, tão-somente, o fornecimento".
O PROTOCOLO
Em fevereiro de 2022, 38 conselheiros do Inter, entre os quais o ex-presidente Pedro Paulo Záchia, assinaram e protocolaram pedido de formação de uma comissão para investigar as condutas do presidente Alessandro Barcellos e do ex-secretário geral Flávio Ordoque, que já havia pedido demissão.
A mesa do Conselho Deliberativo optou por entregar a tarefa aos oito integrantes do Conselho Fiscal, presidido por José Alfredo Amarante. 
Lembrando o assunto.
Na época este blogueiro divulgou diálogos entre Barcellos e Ordoque com o advogado Mateus Marques.
Vazou uma ação de cobrança de honorários proposta por Marques. Ele começou a prestar serviços para a chapa que venceu a última eleição colorada, no final de 2020, e seguiu durante 2021, mas não havia recebido a remuneração correspondente. 
Por isso, ingressou com ação na Justiça.
Para provar a prestação dos serviços, Marques anexou em sua petição os diálogos que manteve pelo whatsapp com os dirigentes. E, de acordo com esses 38 dirigentes que solicitam a abertura da investigação nesta segunda-feira, as conversas “levantaram suspeitas sobre a forma de gestão praticada atualmente no clube".
O Conselho Fiscal entregou seu relatório onde consta que nada foi constatado.
Não encontrou nenhuma documentação que apontasse para o pagamento de honorários ao advogado.
Assunto encerrado?
Parece que não.
Movimentos políticos do clube pensam em solicitar para a mesa do Conselho Deliberativo que o assunto seja analisado pela Comissão de Ética e Disciplina. 
Ou a instauração de uma comissão especial para investigar o caso.
O conselheiro Luiz Fernando Záchia chegou a ter um diálogo ríspido com o presidente do Conselho, Sergio Juchem, quando este enviou o caso para o Conselho Fiscal.
Záchia queria a instalação de uma comissão especial.
Há o entendimento de muitos de que o diálogo é grave o suficiente para ser investigado.