Hiltor Mombach

Inter: consequências de um rebaixamento seriam muito mais trágicas do que em 2017

Este blogueiro ouviu vários ex-dirigentes do Inter

Como manter os salários de Borré na Série B?
Como manter os salários de Borré na Série B? Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

Este blogueiro ouviu vários ex-dirigentes do Inter.

A pergunta foi a mesma: em caso de rebaixamento o cenário é melhor, igual ou pior ao de 2017?

O Inter caiu em 2016 e disputou a Segundona em 2017.

Todos os dirigentes ouvidos falaram, mas pediram para não ser citados.

Motivo: o Inter ainda não caiu.

E todos estarão no Beira-Rio domingo torcendo para que isto não aconteça.

Do que escutei, retirei o que segue.

O cenário em 2026, caso o Inter seja rebaixado, é muitíssimo pior na comparação com 2017.

COTA DE TV FICARÁ EM 10% DO VALOR ATUAL

Em 2017 o Inter tinha cota cheia da TV, cerca de R$ 60 milhões.

Em 2026, a cota, de cerca de R$ 140 milhões, baixará para no máximo R$ 14 milhões, ou seja, 10% do valor.

Em 2017 a dívida estava em R$ 400 milhões.

Em 2026 a dívida passa do R$ 1 bilhão.
Com uma Taxa Selic de 15%.*

COMO MANTER JOGADORES COMO BORRÉ?

O Inter tem jogadores caros e dificilmente terá como honrar os salários com o time na Série B.

Um deles é Borré, com contrato até 2028, que recebe mais de R$ 1,5 milhão por mês.

O orçamento do Inter, que poderia bater nos R$ 600 milhões em 2026, baixará pela metade se o time cair.

Em 17 de dezembro de 2024 uma proposta da emissão de debêntures apresentada pela direção do Inter foi rejeitada pelo Conselho Deliberativo do clube.

Teve 161 votos contra e 159 a favor.

Tivesse aprovado e o destino do próprio clube estaria em jogo.

Leia o artigo de Guinther Spode enviado para este blogueiro na época.

E SE TIVESSE APROVADO AS DEBÊNTURES?

"“Bom dia Prezado Hiltor:

Sobre o tópico “Paradoxo” da tua coluna hoje no “Róseo”:

- há uma diferença fundamental entre “oferecer um bem em garantia” e “alienar” (que significa “transferir/vender”);

- ⁠Na proposta das debêntures, a gestão tentou esconder da opinião pública, dos conselheiros, dos associados e dos torcedores em geral, que o nosso Beira Rio, que hoje está registrado no Ofício de Imóveis em nome do Sport Club Internacional, seria transferido para o nome de um banco ou de uma financeira.

Ou seja, não teríamos mais o estádio em nome do Inter a contar da data da assinatura do contrato de alienação fiduciária proposta pela atual gestão.

Isto, no meu entender, é muito grave, para não dizer temerário, porque o Beira Rio somente voltaria para o nome do Clube quando a dívida contraída estivesse plenamente quitada, o que, pelo histórico recente da administração financeira, dificilmente ocorreria.

Assim sendo, a decisão do CD foi histórica, e somente não mais emblemática, porque um número assustador de conselheiros não percebeu o desatino que a proposta das debêntures significava."

*É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central para controlar a inflação. Ela serve como referência para outras taxas de juros do mercado, como as de empréstimos, financiamentos e investimentos de renda fixa.

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