Hiltor Mombach

Inter, “déficit superior a R$ 100 milhões”. Leia o parecer do Conselho Fiscal

“Observa-se elevado volume de obrigações com atletas e clubes, bem como expressivo montante de empréstimos e financiamentos”

Parecer do Conselho Fiscal
Parecer do Conselho Fiscal Foto : Mauro Schaefer

Do parecer do Conselho Fiscal do Inter sobre as contas de 2025.

“O Conselho Fiscal entende que as Demonstrações Contábeis do exercício findo em 31 de dezembro de 2025 encontram-se em condições de ser apreciadas pelo Conselho Deliberativo, opinando-se pela sua aprovação com ressalvas.

• Leia a íntegra do documento
OBRIGAÇÕES COM ATLETAS
Adicionalmente, observa-se elevado volume de obrigações com atletas e clubes a curto prazo (R$ 111.046 milhões), bem como expressivo montante de empréstimos e financiamentos (R$ 141.337 milhões a curto prazo e R$ 47.541 milhões a longo prazo), os quais continuam a representar parcela relevante do passivo, contribuindo para a manutenção de elevado nível de endividamento.
PASSIVO DE R$ 1,2 BILHÃO
O passivo total do Clube manteve-se em patamar elevado, passando de aproximadamente R$ 1.247.557 (R$ 1,247 bilhões) em 2024 para R$ 1.273.794 ( R$ 1,274 bilhão) em 2025, representando acréscimo de cerca de R$ 27 milhões (+2,2%), evidenciando a continuidade de uma estrutura fortemente alavancada.
“DÉFICIT SUPERIOR A R$ 100 MILHÕES”

A contabilização da recompra parcial de direitos vinculados à Liga Forte União, no montante aproximado de R$ 109 milhões, foi registrada pelo Clube a débito no ativo intangível e crédito no passivo. No entendimento deste Conselho Fiscal, embora o registro do passivo se apresente adequado, o reconhecimento no ativo intangível não reflete a essência econômica da operação, considerando que:

a) no exercício de 2023 houve reconhecimento integral da receita sobre a mesma base contratual, Liga Forte União;

b) em 2025 ocorreu recomposição parcial dessa operação; c) os efeitos se modificaram de um exercício para o outro, tendo a mesma origem, o que nos parece não terem sido adequados no exercício ora em análise...

Sob a ótica econômica e seguindo o mesmo critério anteriormente adotado, o efeito deveria ter transitado pelo resultado do exercício 2025 como despesa e/ou redução da receita, fato que não ocorreu. Entende que, caso adotado o tratamento contábil considerado mais adequado, o resultado do exercício de 2025 apresentaria déficit superior a R$ 100 milhões, em contraposição ao superávit apresentado.”

Recomenda ainda “a ampliação da transparência das informações prestadas no Relatório da Administração, de modo a assegurar maior alinhamento com os dados constantes nas demonstrações contábeis”.