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Há um sentimento entre os colorados de que o ciclo de ouro do Internacional está se exaurindo. A fogueira virou brasa e os indícios são de quem vem por aí a época das cinzas. Há um outro sentimento, este compartilhado por gremistas, de que o Grêmio, feito Fênix, está renascendo das cinzas. O Inter tem gordura para queimar e pode dar a volta por cima ainda nesta temporada. Possui um grupo de jogadores de qualidade e poder de endividamento. Mas... Até os filhotes de quero-queros Nova Pádua sabem com quem e quando começou a era de ouro: com Fernando Carvalho em 2006. Luigi era para ser o sucessor de Carvalho, mas foi atropelado por Piffero, que pegou o bastão em 2007 e segurou até 2010. No ano seguinte, finalmente, Luigi tomou posse. Quando tomou posse, o trio de ferro não existia mais. Por conta de divergências em como fazer a reforma do Beira-Rio, o trio virou dupla, Luigi e Carvalho, com Piffero começando sua campanha de oposicionista. Devagar, devagarinho, Fernando Carvalho foi se retirando da política clubística para não romper com nenhum dos dois amigos. No seu primeiro mandato, Luigi deu ao Inter seu último grande título, o bicampeonato da Recopa Sul-Americana. Graças a um golpe do Conselho Deliberativo, Luigi não disputou a reeleição entre os sócios. Ficaria mais dois anos. Indicou Marcelo Medeiros como seu sucessor, mas apenas títulos regionais não motivaram os sócios a votar na Situação. Deu Vitorio Piffero, da Oposição. O Inter tem gordura para queimar e pode dar a volta por cima ainda nesta temporada. Possui um grupo de jogadores de qualidade e poder de endividamento. Aqui entra o mas... Vitorioso na sua primeira passagem como presidente, este Piffero rasgou a sua biografia, esqueceu seu aprendizado. Parece estar com o rei na barriga. Errar uma vez é humano, duas, imperdoável. Quando Piffero foi eleito, Abel ainda era o treinador. Piffero deu a contratação de Tite como favas contadas e, quando o técnico acertou com o Corinthians, ficou com um sorriso amarelo. Seguiu-se um périplo na busca de um substituto para Abel. O périplo deixou o Brasil para achar Aguirre no Uruguai. Se não tem tu, vai tu mesmo. Oito meses depois, Piffero se supera e faz pior. Demite um técnico, Aguirre, sem ter seu substituto e leva 5 a 0 no Gre-Nal, vexame histórico. No seu novo périplo, ancorou o navio colorado no porto de Mano Menezes e pagou mico, com Mano dizendo que não trabalha com Piffero. Como na aventura anterior, içou velas rumo ao exterior em busca de Jorge Sampaoli. Outro mico. Havia uma multa rescisória milionária para tirar o treinador da seleção chilena. Ninguém esperava que Piffero, pela sua experiência de presidente vitorioso, cometesse equívocos tão bisonhos. Havia entre os colorados a convicção de que Piffero sopraria as brasas de 2011, do último grande título, avermelhando novamente a fogueira colorada. Este sentimento dos colorados de que o ciclo de ouro do Internacional está se exaurindo não é à toa. Ninguém esperava que justamente o experiente Piffero errasse duas vezes na substituição de um técnico, desmontasse o time como desmontou, com vendas e com a permissão de negociação de jogador com outro clube. E há ainda esta sinalização de que a hierarquia no Beira-Rio começa com um atleta, atraso nos salários com jogadores reclamando publicamente e torcedores protestando como há muito tempo não se via. Sem falar nas contratações equivocadas e salários desiguais para funções iguais. Retomo a frase de abertura: há um sentimento entre os colorados de que o ciclo de ouro do Internacional está se exaurindo. O patético é que isto está acontecendo justamente quando se esperava a retomada das conquistas. Era esta a expectativa para quando da finalização da reforma do Beira-Rio.