Hiltor Mombach

Inter: entrevista com Alexandre Chaves Barcellos

A semana foi marcada pela publicação do balanço do Inter, que apresentou um déficit histórico, e pela divulgação por dois sites especializados em finanças de clubes brasileiros de que o Inter passou a ocupar o segundo lugar no funesto ranking dos mais endividados, atrás apenas do Botafogo.
Nesta entrevista o segundo vice-presidente eleito, Alexandre Chaves Barcellos, esclarece esta e outras questões importantes, como o prejuízo provocado com a assinatura com o Esporte Interativo para transmissões de jogos do Brasileiro em canal fechado.
Estudos sobre as finanças dos clubes brasileiros em 2017 apontam o Inter como o segundo clube mais endividado, devendo R$ 700 milhões. Como explicar isto?
O principal motivo de crescimento do passivo do Internacional ocorreu em função do lançamento das benfeitorias do Complexo Beira Rio concluídas em 2014. Foram lançados aproximadamente R$ 350 milhões que aumentaram o passivo, mas também fizeram crescer o ativo permanente do clube, hoje superior a R$1. Importante ressaltar que estes valores lançados no passivo não serão pagos com desembolso financeiro do Internacional, mas com a cessão de alguns espaços do Complexo Beira Rio para a BRIO para exploração comercial pelo período do contrato. Portanto, a dívida financeira do clube gira em torno de R$ 350 milhões.
O balanço de 2017 apontou um déficit de R$ 62,5 milhões. Onde o Inter mais perdeu estando na Série B?
A disputa da Série B traz diversos problemas. Desvalorização dos ativos (sobretudo, direitos econômicos), necessidade de reconstrução do grupo (maioria dos jogadores de então, com contratos longos), pouca atração dos jogos que você disputa. Isto se reflete na arrecadação dos jogos, nas cotas de patrocínio, nas mensalidades e pontualidade dos sócios, etc. Ou seja, os reflexos da participação em um campeonato de menor expressão em relação a Série A acabam impactando em muitas áreas do Clube, fato que ficou evidenciado na queda das receitas em 2017.
A direção diz que o clube perdeu assinando contrato de TV fechada com o Esporte Interativo. Porque perdeu dinheiro e quanto perdeu?
A perda de exclusividade na transmissão dos jogos por uma rede acaba impactando diretamente na sua programação e dos seus patrocinadores, uma vez que uma parte destes jogos são “administrados”, em termos de programação televisiva, por outra rede. Isto traz impactos na audiência e, por conseguinte, no interesse de patrocinadores e torcedores que decidam demandar o PPV. Como os contratos dependem de valores variáveis de performance no próprio campeonato e no PPV, difícil estimar com precisão, mas os prejuízos, com as luvas já perdidas e com os redutores, poderão alcançar valores da ordem de R$ 40 ou R$ 50 milhões.
O Inter teve receitas de R$ 245,9 milhões em 2017. Em 2015, com o time na Libertadores, os sócios geravam R$ 68 milhões e no ano passado apenas R$ 55,7 milhões. Não é um exagero prever no orçamento para 2018 um faturamento de R$ 350 milhões, sendo R$ 78 milhões com sócios?
Ao disputar novamente a Série A é possível atingir um patamar de receitas bem superior ao ano passado, conforme exemplo citado de 2015. Apenas com o fator Brasileiro da Série A as perspectivas de arrecadação, pela atratividade dos jogos, já são outras. Além disso, o Internacional vem trabalhando com algumas ações de marketing junto aos sócios, ao demonstrar a atratividade da associação que, esperamos, tragam resultados positivos para as receitas sociais. Além disso, o clube não altera o valor das mensalidades desde 2014. Isto também poderá ser trabalhado ao longo de 2018, desde que autorizado pelo Conselho do clube, além, eventualmente da criação de novas categorias sociais.
O Inter migrou do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) para um outro programa de renegociação e pagamento de dívidas fiscais e tributárias?
Não. O principal programa fiscal continua sendo o Profut, com cerca de R$ 70 milhões e que está em dia.