Entrevista com o vice presidente do Inter, Alexandre Chaves Barcellos.
Estudo recente do Itaú BBA apontou que está aceso o sinal de alerta no Beira Rio. Trecho: "O que vimos em 2017 é a sequência de um processo de deterioração da condição econômico financeira do Internacional que parece estar longe de ser solucionada."A situação é essa mesmo?
A difícil situação econômico-financeira do Internacional não é diferente da maioria dos grandes Clubes de futebol do Brasil e foi tratada de forma transparente e realista pela nossa Gestão, desde que assumimos em janeiro de 2017. Além da grave crise econômica que se abateu no país nos últimos anos, tivemos no Clube um desempenho em campo muito abaixo da sua grandeza e da posição ocupada em anos anteriores e que nos levou à série B. Como resultado da queda para a série B e da crise, o Internacional viu suas receitas diminuírem consideravelmente, o que impactou significativamente o resultado do exercício de 2017.
Como prova disso, tivemos nas demonstrações financeiras o resultado da impossibilidade de incrementar as receitas sociais (inclusive com as perdas inflacionárias), a ausência das luvas de televisionamento (recebida em anos anteriores) e um resultado pouco expressivo com venda de atletas, fruto da baixa exposição de nossos ativos em campeonato de menor expressão. Entretanto, de outro lado, foi o ano em que algumas ações estratégicas da Gestão foram implementadas para enfrentar esta situação no curto prazo e na preparação de um novo cenário para o Clube no longo prazo, práticas que começaram a gerar significativos efeitos ao longo do ano em curso.
Diz que são quatro anos sem gerar caixa no conceito de recorrência, aumento constante dos custos diretos com o futebol, dos gastos gerais, mesmo num ano em que atuou na Série B, e acrescenta: "Há algo de errado no reino Colorado". Como se chegou a este ponto?
Além do que foi referido na questão anterior, é importante ressaltar que a estratégia financeira adotada pelo Clube nos últimos anos considerava a venda de atletas como receita importante para o enfrentamento dos custos e despesas. Esta estratégia, de sucesso por anos onde o Internacional despontou como um dos principais Clubes do Brasil em receitas com negociação de atletas, demonstrou a eficiência de nossa categoria de base e permitiu ao Clube conquistar os principais títulos de sua história. Não gerar caixa no conceito de recorrência foi uma estratégia do Clube nos últimos anos e que contribuiu para as conquistas que tivemos. O desempenho no ano de 2016 e a participação na série B em 2017 depreciou nossos ativos e comprometeu esta receita. Também neste ponto, o ano de 2017 foi importante para algumas ações implementadas pela direção no sentido de buscar uma nova matriz de receitas, uma nova estratégia para a gestão de ativos e, principalmente, uma profunda e consistente política de redução de custos e despesas. Essas estratégias, contudo, pelas características do segmento, começam a ter seus resultados projetados no tempo em médio e longo prazo. Todavia, temos convicção do acerto do rumo adotado. Como exemplo, a venda do Anselmo e o empréstimo do Valdívia já são sinalizadores do acerto da estratégia, permitindo ao Clube auferir receita com atletas, sem perder competitividade dentro do campo.
Em 2019 mudarão as regras para divisão do bolo do dinheiro da TV. Parte só entrará no final do ano. O Inter está preparado para isto?
O Clube vem se preparando para este cenário desde que assumimos, mas será um ano difícil, sem dúvida. Exigirá muita criatividade e uma adaptação no fluxo de caixa de todos os Clubes no Brasil.
Confirmada a vaga na Libertadores, há dinheiro para montar um time que possa competir no regional, Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores?
Estamos trabalhando com o conceito de gestão de ativos. Somente desta forma foi possível reformular o grupo no ano de 2017, com forte atuação do nosso Departamento de Futebol, liderado por Roberto Melo. Apenas da grave situação financeira naquele momento, a postura do nosso Departamento de Futebol permitiu que atingíssemos nosso principal objetivo do ano de 2017 que era colocar o Clube novamente na Série A e ainda fazer um grupo competitivo para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2018. Os resultados de campo demonstram que a criatividade e a estratégia de gestão de ativos realizada por todo nosso Departamento de Futebol foram importantes, não só para atingir os objetivos financeiros, como também para devolver o Inter para o local de onde jamais deveria ter saído, disputar a ponta de cima da tabela do Brasileirão e agora será adotado o critério de contratações pontuais, já que temos um grupo competitivo e engajado com o Clube.
Como está a situação dos sócios: aumentou ou diminuiu a inadimplência depois do reajuste de 25%? Qual o faturamento mensal agora?
Para a torcida do Internacional só podemos fazer elogios. Apesar do realinhamento de 25% nas mensalidades, a inadimplência caiu para os níveis mais baixos da história do Clube, na faixa de 12% (já tivemos mais de 20%) e o quadro social já ultrapassa os 116 mil sócios ativos. Com esses números nossa receita mensal deve se aproximar dos R$ 7 milhões, com os sócios, e em um viés de alta pela possibilidade cada vez mais concreta de estarmos na Libertadores/19.
Quem deveria bancar o VAR? CBF, federações, clubes?
O presidente Marcelo Medeiros, nesta semana que passou, conseguiu o apoio de grande parte dos clubes da série A para implementação do “VAR”. Contudo, a CBF alega que para esse ano ainda não será possível implementar o modelo. Assim, a matéria será remetida para o próximo Conselho Arbitral e creio que será aprovada por ampla maioria, devendo lá ocorrer a fixação das responsabilidades pelos pagamentos.
O Inter terminará o ano com déficit? De quanto?
Na previsão orçamentária apresentada e aprovada pelo Conselho Deliberativo estimamos um déficit aproximado de R$ 11,0 milhões. Ainda estamos trabalhando na redução de alguns custos e despesas, bem como com algumas alternativas de receitas que precisam ser confirmadas. Mas a expectativa hoje é de um resultado próximo ao que foi apresentado e aprovado pelo Conselho Deliberativo do Clube.
O próximo balancete será melhor do que o último?
Todas as ações e estratégias implementadas pela gestão têm este objetivo. Não se pode olvidar que a difícil situação econômico-financeira que encontramos o Clube não se resolve no curto prazo. É necessário uma busca incessante na redução de custos e despesas, além de viabilizar novas fontes alternativas de receitas. Nas demonstrações financeiras deste exercício já se deve sentir uma significativa melhora.
Como avalia a gestão até aqui, pois estamos terminando o segundo ano?
Essa avaliação deverá ser realizada pelo sócio Colorado no dia 8/12. Todavia, o que podemos dizer é que estamos conseguindo cumprir com os objetivos que traçamos. Temos hoje o Internacional novamente disputando uma competição de primeira linha no futebol brasileiro em condições de vencê-la, estamos com nosso torcedor nos apoiando incessantemente, com excelente média de público, nosso quadro social cresceu significativamente, temos boas perspectivas de voltar às principais competições do continente a partir de 2019 e nossa política de gestão de ativos se mostra positiva, com receitas alcançadas sem comprometer a competitividade do time e a valorização do nosso grupo de atletas. Temos já acertadas novas receitas para 2019 e, por isso tudo, não tenho dúvida de que nossa Gestão necessita de mais um biênio para completar todo esse trabalho.
Como está a relação com a CBF?
O Presidente Marcelo Medeiros conseguiu recuperar nossa relação com a CBF e isso é muito importante para o Clube.
O Inter está acionando o Esporte Interativo?
O Internacional através do seu Jurídico interno e do escritório terceirizado está a analisar esta situação. Não houve nenhuma decisão ainda sobre este tema.
O Internacional através do seu Jurídico interno e do escritório terceirizado está a analisar esta situação. Não houve nenhuma decisão ainda sobre este tema.
