Nelson Rodrigues abre assim uma das suas crônicas:
“Se me perguntassem qual a mais feia impostura da nossa época, eu daria a seguinte e fulminante resposta: é a cínica promoção que se faz do jovem. Não há mais, como no passado, o conflito das gerações."
Eis que se descortina uma verdade estarrecedora e cruel: meu Fim de Carreira de Garibaldi seria atropelado pelos juvenis de Grêmio e Inter.
Alguém irá berrar "e Suárez, e Suárez".
Outros jogarão pedras: "E Messi, e Cristiano Ronaldo..."
Cabe um cascudo aqui, outro ali.
Rotular de veterano seria pejorativo.
Cometendo uma verdade exagerada diria que um time só de cascudos é um fortíssimo chamarisco para vexames.
Eis onde quero chegar.
O Inter está montando um timaço do meio para frente. Fernando (36 anos), Aránguiz (34); Alan Patrick (32); Valencia (34), Lucas Alario (31) e Borré (28).
Aqui, cometo uma sentença: não vai dar samba!
Pode dar um trágico tango.
Mais: Alario será reserva porque Maurício, 22, tem que jogar.
Pelo futebol e pela juventude.
Amigos, Suárez só jogou no Grêmio porque veio sem custo. Acham que não gostaria de contratar um De La Cruz? Mas De La Cruz custou R$ 80 milhões. O Grêmio tem mais do que isto, mas de déficit. O Inter tem algum dinheiro da Liga, mas insuficiente para uma contratação de um jovem promissor.
A imensa maioria dos clubes brasileiros vende banana verde e repatria bananeira que já deu cacho. Sem custo, só pelo salário. O Brasileiro da Série A é jogador no exterior. Aqui se joga o da Série B. Não se trata de um problema do Inter ou do Grêmio. Problema que pode ser agravado com as SAFs.
Inter, esboço de um timaço. Mas...
Do meio para frente só tem jogador bom. Mas a média de idade pode prejudicar
