Hiltor Mombach

Inter: espernear é do jogo e nada tem de ilegal

Cada nota minha sobre o caso Victor Ramos coloca colorados e gremistas em polvorosa. Por motivos distintos. Os colorados estão esperançosos, confiando numa decisão favorável ao clube no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), com os gremistas secando.
Já ouvi de ilustres gremistas ser vergonhosa esta batalha do Inter para não jogar a Série B. Afirmam que o time caiu em campo e tem que subir no campo.
O Inter não está exercendo a Lei de Gérson ( “o importante é levar vantagem em tudo, certo?”), não está driblando questões éticas ou morais nem atuando de forma ilegal. Questiona a escalação de Victor Ramos numa entidade desportiva, credenciada pela Fifa.
Retiro trecho do livro “Fábio André Koff, Memórias e Confidências — o que faltou esclarecer”, depoimento do ex-presidente do Grêmio nos períodos de 1982-1983, 1993-1997 e 2013-2014, concedido a Paulo Flávio Ledur e Paulo Silvestre Ledur.
“Embora não ocupasse cargo no Grêmio entre os anos de 1984 e 1990, nunca me desliguei do clube, nem das questões do futebol do Brasil.
Em 1990, fui eleito para presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio. Foi um período muito ruim para o clube, que culminou como rebaixamento para a segunda divisão do brasileiro em 1991.
Depois o clube conseguiu subir graças a duas alterações no regulamento, assunto que me fez ir duas vezes ao Rio de Janeiro para falar com o diretor de futebol da CBF, na época Eurico Miranda. O regulamento original previa ascensão de oito clubes da segunda divisão para a primeira, enquanto o Grêmio estava em décimo lugar. Alteramos para dez e num segundo momento para doze. E o Grêmio ficou com a última vaga.”
O Inter esperneia com base no regulamento do Brasileiro. Se vai levar ou não são outros quinhentos e isto não está em discussão aqui.
Publiquei o seguinte nesta semana: “Rola no Facebook que a CBF, temendo ser punida, marcará o Brasileiro com 22 times. Com o Inter e subindo o Vitória. O Inter conhece este boato desde quarta-feira. Soube quando da viagem para encarar o Sampaio Corrêa.
Mas, por enquanto, não tem qualquer informação oficial. Portanto, até prova em contrário, trata-se de boato.
O Inter trata assim, como boato. Tem a convicção de que a CBF não entregaria os pontos tão facilmente.
Ainda mais que a tabela do Brasileiro da Série A de 2017 já foi publicada. De informação concreta: o Tribunal marcou data para a audiência. Será em 23 de abril.”
Correção: 25 de abril. O site oficial do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) traz a relação de julgamentos até 10 de maio e não prevê a realização do encontro. No entanto, o Jurídico do Inter tem a informação de que a audiência sairá no dia 25 e tenta antecipar a data.
Mais: o Jurídico do Inter tem a informação de que o TAS não marcou o dia 25 de abril para decidir antes do começo do Campeonato Brasileiro da Série B, mas por ser a única data disponível na agenda.