Hiltor Mombach

Inter: Falcão monta o meio de campo dos sonhos. Tem Bráulio

Tem sessão de autógrafos do livro “Garoto de Ouro” no dia 02 de agosto, sábado, às 18 horas, no Barranco.

Tem sessão de autógrafos dia 02 de agosto, sábado, às 18 horas, no Barranco.
Trata-se de “Garoto de Ouro”.
Obviamente com a presença do eterno craque do Internacional, Bráulio, o eterno “Garoto de Ouro”, e do seu filho, o escritor Leonardo Romero de Lima, autor da biografia. Quem não conhece a história de Bráulio não conhece a história do Inter.
O prefácio é de uma lenda, Falcão.
Numa narrativa brilhante, o Bola-Bola, elege seu meio-campo dos sonhos.
Que meio, amigos!
A arte de jogar bola
PAULO ROBERTO FALCÃO

Bráulio foi meu ídolo. Quando eu era menino, fui ver um jogo do time juvenil do Inter no campo do Grêmio Esportivo Veronese, de Canoas, onde eu morava. Fiquei encantado com o que Bráulio e Chorinho faziam com a bola. Anos depois, tive a oportunidade de conhecê-lo, eu nas categorias de base do Inter e ele como profissional, jogando com Carbone e Paulo César Carpegiani. Foi uma de minhas inspirações, pela técnica absurda, pelo domínio de bola e pelos lançamentos precisos. Ele deixava o centroavante na cara do gol. Uma vez o Rubem, que era o 9 do Inter, reclamou:
– Pô, Bráulio, não me dá mais passes na cara do goleiro. Se eu perco o gol, a torcida pega o meu pé. Me dá bola para eu dividir com o zagueiro que é melhor.
Quando comecei a subir para o time principal, tive a oportunidade de jogar uma ou duas vezes com Bráulio. Lembro-me de um jogo em Santo Ângelo, com o campo encharcado, pois chovia muito. O jogo ideal para Bráulio, que não deixava a bola cair, de tanto domínio que tinha.
Anos depois, na praia, alguns amigos me desafiaram a escalar o melhor meio campo do Inter de todos os tempos, podendo usar jogadores de várias épocas e me incluir, eu respondi de pronto:
Falcão, Carpegiani, Bráulio e Mário Sérgio.
Os debochados provocaram:
– E quem vai marcar?
– Os adversários – respondi. Se eles não marcarem esses quatro vão levar goleada.
Bráulio não era propriamente um goleador, mas certamente seria um dos maiores artilheiros do seu tempo se fossem contadas as assistências que ele deu para os que marcaram. Mas também fazia gols bonitos e importantes. Além disso, encantava o torcedor com sua habilidade para driblar, aplicar chapéus e habilitar os companheiros para as conclusões.
Este livro, portanto, não é apenas a biografia de um jogador de futebol. É, acima de tudo, a história de um artista da bola, que jogava bonito, levava alegria aos estádios e deixava o torcedor feliz. Foi uma honra ter sido seu colega de clube e de ofício.

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