Hiltor Mombach

Inter, Grêmio e o modelo

Há 16 anos era criada a Lei Pelé.
Alguns clube se adaptaram logo, tirando proveito, outros tentam se encaixar até hoje.
O Inter percebeu imediatamente os benefícios que o novo modelo poderia trazer.
O Grêmio remou.
Lembro de uma entrevista com um ex-presidente do Grêmio onde ele dizia que, com a instituição do novo modelo, era melhor acabar com as categorias de base.
Fernando Carvalho, então presidente do Inter, percorreu caminho contrário e afirmou que as categorias de base passavam a ser a salvação da lavoura.
O novo modelo não é receita de bolo, portanto, está sujeito a erros e acertos.
O Inter acertou mais quando mandou desembarcar jogadores jovens ou formou na base.
Atento ao mercado, lucrou até quando foi acusado de aliciamento e lembro aqui de Fred, oriundo do Atlético Mineiro, e Oscar, do São Paulo.
Juntos, os dois renderam brutos R$ 104 milhões e, limpos, quase R$ 50 milhões.
Desde a inauguração do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, em 2003, o Internacional faturou R$ 600 milhões com a venda de atletas.
Foi o clube que mais faturou no país.
Só as gestões Carvalho e Piffero deixaram no cofre mais de R$ 350 milhões.
Dinheiro decisivo para alavancar este Inter hoje verdadeiramente internacional.
O último balanço do Inter aponta que o clube faturou brutos R$ 123.749.653 com “negociações de atletas“ na temporada de 2013.
As maiores transações foram Fred, R$ 43,9 milhões, Leandro Damião 41,5 milhões e Rodrigo Moledo, R$ 20,5 milhões.
O Grêmio aparece na sexta posição em transações desde 2003, com R$ 219,9 milhões.
Há explicações, várias.
Uma delas: quando da crise ISL, as categorias de base ficaram um tanto desamparadas. Ou seja, a fábrica deixou de funcionar.
O Inter de hoje parece ter relegado os segredos do seu sucesso.
Ao contratar Forlán e Scocco, entre tantas outras apostas em jogadores experientes, além de não lucrar com a saída teve que arcar com uma rescisão milionária: R$ 15 milhões para mandar os dois embora.
Ao relegar a sua categoria de base, o Grêmio deixar de faturar com a sua fábrica própria, de formar jogadores com o espírito Tricolor, para mandar desembarcar promessas pouco utilizadas ou jogadores experientes com contrato curto. Ou seja, ainda rema diante do novo modelo.
É de se festejar, portanto, a contratação de Giuliano por quatro temporadas.
Talvez seja indício de novos tempos.
O novo modelo tornou o Inter o que ele é hoje.
Mas é preciso que o clube retome logo o caminho das gestões Carvalho e Piffero com a remontagem da equipe B, por exemplo.
O novo modelo ainda não foi implantado no Grêmio na sua plenitude.
Algo está errado numa das pontas: ou não estão saindo bons pratas da casa da fornalha, tipo Luan, digamos, ou eles não estão sendo aproveitados como deveriam.