De Douglas Ceconello.
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Eu achei em http://www.editorazouk.com.br/pd-3af329-historia-universal-da-angustia
Das coisas que permanecem
17/12/2008
[Crônica do aniversário de dois anos do título mundial
Na final da Copa Sul-Americana, contra o Estudiantes, Porto Alegre vivia um dia de expectativa, com aqueles pequenos significados que nos despertam para os momentos importantes – um foguete que estoura longe, uma buzina perdida, uma bandeira que pende solitária. Durante o jogo e toda a tensão que ele carregou no seu desenrolar, os espíritos colorados martirizavam-se, impacientavam-se e olhavam para cima como quem espera um pingo de chuva bater no nariz.
No entanto, e isto era muito perceptível, havia em todos os presentes uma certa compreensão, uma doação ao time e uma empatia direcionadas àquelas camisas vermelhas que corriam pelo campo. Sensações inéditas para os muitos que se acostumaram a viver na ansiedade profunda que aguardava os grandes feitos. E eles jamais chegavam.
Fosse a decisão contra os pincharratas jogada antes de 2006, é muito provável que o quadro fosse muito mais carregado de impetuosidade. Ou venceríamos, ou nunca mais voltaríamos a levantar uma taça, pensariam os mais necessitados de espírito trágico. Eu mirava um guri de uns oito anos que, sob os cuidados do pai, angustiava-se com o quadro desesperador que se apresentava no campo. Mas eu não o olhava como antes de 17 de dezembro de 2006.
Porque em 2006, ano marcado pelo hasteamento da bandeira vermelha no continente e coroado com uma sincera e arrebatada aterrissagem no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, os colorados revisaram sua relação com o clube que tanto empenho e dedicação lhes exige.
Hoje, os colorados olham para trás e orgulham-se inclusive de suas derrotas. Elas foram tão importantes quanto as vitórias, forjaram nosso caráter e alimentaram com força um sentimento que muitas vezes era manifestado pela mais profunda compaixão e empatia. Nenhum torcedor foi tão solidário na desgraça quando o colorado. As nossas derrotas maquinaram um estado de ebulição latente, que explodiu – e nós sabíamos que explodiria – no ano de 2006.
Se o Internacional tivesse perdido para o Estudiantes, obviamente haveria tristeza. Mas, fundamentalmente, existiria um sentimento de que perdemos agora, já ganhamos muito e com certeza voltaremos a vencer mais. Não importa quando. Nem onde. E muito menos contra quem.
Porque ainda está muito brilhante em nossas retinas aquele domingo endiabrado e abafado quando o Internacional, nosso velho e castigado e soberano Colorado, postou-se diante do Barcelona, aguardando o apito que começaria o jogo. Poucos minutos bastaram para percebermos que, ganhando ou perdendo, ainda não apareceu time que possa olhar de cima para a camisa vermelha.
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