Hiltor Mombach

Inter: movimento fala em passivo de R$ 1,25 bilhão, redução de R$ 75 milhões em receitas diferidas e pede suspensão da reunião

“A falta de transparência acerca dos prejuízos com as enchentes, tendo havido a menção de prejuízo líquido de R$ 9,3 milhões, com informações subjetivas, sem a devida comprovação das despesas...”

Ilmo. Sr. Presidente do Conselho Deliberativo do Sport Club Internacional.
Os Conselheiros do Movimento Sangue Colorado, com base nos arts. 29, XIII, e 31, IV, do Estatuto do Clube, vêm à presença de Vossa Senhoria para dizer e, afinal, requerer o seguinte:
No dia 07 de abril recente, a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo enviou e-mail para todos os Conselheiros do Internacional referindo que “face ao atraso na entrega ao Conselho Fiscal do balanço geral das contas do exercício de 2024, acompanhado do parecer da auditoria externa (art. 41, XXIV, do Estatuto), a sessão ordinária anteriormente aprazada para o próximo dia 14 de abril, para apreciação do relatório do Conselho de Gestão e exame e votação do balanço geral do exercício anterior, acompanhado do demonstrativo dos lucros e perdas, com parecer conclusivo fundamentado do Conselho Fiscal (art. 31, IV, do Estatuto), será realizada em data posterior, a ser informada tão logo seja possível”.
Posteriormente, os documentos foram enviados para os Conselheiros em 15 de abril.
Ora, para que se possa fazer uma avaliação fidedigna das contas, há pontos que carecem de explicações, senão vejamos:
a) o Conselho de Gestão atrasou a entrega dos documentos necessários para apreciação das contas de 2024, o que inclusive vai de encontro ao previsto no Estatuto do Clube (art. 31, IV), prejudicando a fiscalização das contas;
b) os passivos do Clube aumentaram significativamente, alcançando em 2024 a monta de 1,25 bilhão de reais, 30% a mais em relação ao ano passado;
c) o contrato envolvendo antecipação de 20% dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro (LFU) teve inadimplida vultosa quantia ao Clube;
d) segundo nota explicativa das demonstrações financeiras, o Clube não pretenderia executar o valor que lhe é devido referente ao contrato da LFU;
e) não há suficientes explicações acerca das cláusulas penais decorrentes do inadimplemento dos valores que o Clube é credor;
f) não é sabido se o Conselho de Gestão convocará o Conselho Deliberativo para dar explicações sobre as prováveis mudanças no contrato antes aprovado por essa Casa;
g) o Conselho Fiscal, no parecer exarado, teceu críticas à operacionalidade e à falta de controles satisfatórios, destacando-se os expressivos R$ 4 milhões despendidos com cartão corporativo em 2024, sem o devido cotejo com as notas fiscais desses gastos;
h) as dívidas atinentes às obrigações fiscais sobem a cada ano, tendo aumentado mais de 17% na relação com 2023, causando preocupação com a regularidade fiscal imposta pela Lei do PROFUT;
i) os passivos com os atletas e clubes aumentaram impressionantes 162% na relação com 2023 e o Clube vem sendo exposto na mídia como mau pagador;
j) a falta de transparência acerca dos prejuízos com as enchentes, tendo havido a menção de prejuízo líquido de R$ 9,3 milhões, com informações subjetivas, sem a devida comprovação das despesas;
k) foi prometido pelo mandatário do Clube que os valores da LFU seriam usados para pagamento das dívidas com os bancos, tendo as despesas financeiras consumido em 2024 mais de 37% da receita líquida do Clube;
l) os números apresentados na Demonstração de Resultado (DRE) referente ao saldo inicial de 2023 diferem da DRE primitiva que foi objeto de análise e de votação por essa Casa no ano passado;
m) a relevante redução das receitas diferidas, mais de R$ 75 milhões em 2024, sem que o Conselho de Gestão tivesse esclarecido sobre os contratos e prazos que justificariam tal redução, bem como de eventuais valores recebidos em 2024 a título de antecipações referentes às obrigações que perdurarão por períodos superiores a um ano;
n) no balancete contábil encaminhado aos Conselheiros constam somente as contas (grupos) acumuladores, fato que prejudica a análise detalhada acerca dos números apresentados (não houve o encaminhamento do balancete analítico com os saldos das contas lançáveis).
Portanto, tornam-se necessários esclarecimentos acerca desses apontamentos, para que os Conselheiros integrantes desse movimento político possam votar de forma convicta, conhecedores da real situação operacional e financeira do Clube.
Ante o exposto, requerem a suspensão da sessão aprazada para 28 de abril.
Nestes termos,
Pedem e esperam deferimento.
Porto Alegre/RS, 24 de abril de 2025.
Leonardo Aquino Bublitz de Camargo
Coordenador – Movimento Sangue Colorado

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