Amigos, o Beira-Rio segue com os mesmos donos.
São quase sete milhões espalhados pelos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal.
Há ainda proprietários no exterior.
Vivia-se neste momento, no Rio Grande do Sul, um paradoxo.
Há mais de uma década o Grêmio faz da tripas coração para comprar a gestão da Arena.
Não muito longe dali, o Inter pretendia colocar seu maior patrimônio, o Beira-Rio, orgulho dos colorados, como garantia de um empréstimo bancário.
Em 22 de julho de 2024 foi constituída pela mesa do Conselho do Inter uma comissão especial com o objetivo de proceder, entre outras coisas, estudo sobre o assunto. Por 5 a 2 votou contra dar o estádio Beira-Rio como garantia para um empréstimo de R$ 200 milhões.
O trecho de um dos votos foi cristalino:
"Importante que o sócio e torcedor do Internacional tenham plena ciência do que pretende o Conselho de Gestão.
Em resumo: em operação creditícia de cerca de 200 milhões de reais, a propriedade resolúvel do Beira-Rio ficará em nome de terceiros, até que esse empréstimo seja quitado.
Acaso haja o inadimplemento, há risco de perda da propriedade plena sobre o bem.
Singelamente é isso que indica a operação que nos foi posta à análise."
Vejam este outro trecho:
"Inobstante, ainda no tocante à garantia real proposta, chama a atenção a relação de mais de 3,75X entre o valor de avaliação do bem (R$ 750 milhões de reais) e o valor do principal da operação (R$ 200 milhões de reais), o que, da experiência prática, sugere haver excesso de garantia."
Esta coluna, amigos, não tratou do assunto como não sendo de números.
Tratou de paixão, orgulho, de um sentimento intenso e imenso que une os colorados, a sua casa.
O Beira-Rio é a casa de sete milhões de colorados.
A casa é a garantia da perpetuação do clube.
A casa é inalienável, impenhorável e invendável.
Era, é seguirá sendo.
Nesta segunda-feira (16), o Conselho Deliberativo do Inter em uma votação muito apertada rejeitou o projeto das debêntures.
O "não" ao projeto 161 votos, contra 159 favoráveis.
O Inter buscava R$ 200 milhões em bancos, mas o Beira-Rio passaria por uma alienação fiduciária.
Reunião tensa e densa.
O conselho Roberto Melo fazia um pronunciamento quando o som falhou.
Retomou e Melo afirmou que o Inter não pagava as contas e queria tomar mais dinheiro, que havia deixado de pagar mais de R$ 200 milhões em nove meses.
Disse que não deveria ter pago também o técnico de som.
Barcellos teria retrucado afirmando que havia pago Nico López, contratação do tempo em que Melo era vice de futebol.
Melo disse não ter comprado Nico López, mas vendido por 8 milhões de euros sem intermediário, que o jogador veio na gestão Piffero.
