Está terminando o quinto ano da gestão de Alessandro Barcellos, que se encerra ao final de 2016.
Nestes 60 meses, 1.825 dias, o Inter ganhou um Campeonato Gaúcho e cometeu um milagre: evitou o rebaixamento para a Série B no último jogo do Brasileiro, favorecidos por dois resultados paralelos.
Neste período viu a dívida mais do que dobrar, superando atualmente R$ 1 bilhão.
Quando está por começar o último ano, a gestão tenta construir duas narrativas, uma política e outra financeira.
Na área política, acena com o poder compartilhado, como se isto fosse possível. A construção da sua candidatura se baseou num discurso de ruptura.
Trecho de uma carta enviada por ele ao Correio do Povo em 15/12/2020, dia da eleição que o tornou presidente no primeiro mandato: "Mudar radicalmente o modelo passa por resgatar a fórmula que nos fez vencedor no campo esportivo e, junto com isso, fazer as rupturas necessárias, em oposição ao que está posto."
”CARVALHISMO”
Mesmo os desavisados entenderam o recado. Sua gestão buscava romper com Movimento Inter Grande (MIG), o maior vencedor da história do clube, que deu duas Libertadores e o Mundial e, por tabela, acabar com o “Carvalhismo”, referência ao ex-presidente Fernando Carvalho.
Dias atrás perguntei a um ex-dirigente, integrante do MIG, se ele aceitaria compor com a atual gestão neste último ano de mandato: "Loucura quem aceitar".
Aos pregar a pacificação no último ano de gestão, Alessandro Barcellos tentou construir um discurso de abertura política, de união dos colorados. Não colou.
SAF
O clube contratou a empresa Alvarez & Marsal (A&M), consultoria global de origem brasileira, mas que trabalha no mundo inteiro, especializada em consultoria de gestão, recuperação de empresas e melhoria de desempenho.
O que significa isso? Esse colunista foi ouvir integrantes da Situação.
Significa que, estando num beco sem saída, a atual gestão tem a expectativa de que a consultoria aponte como única solução a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol. O assunto vem sendo debatido internamente vai tempo.
Na hipótese da criação de uma SAF, transferindo o controle majoritário do Internacional para um investidor, mantendo o clube com uma fatia menor, o Inter poderia ter uma injeção de R$ 2 bilhões, com boa parte para pagar dívidas e outra para montar time.
Nesta hipótese, a atual gestão construiria um discurso de ter sido a salvadora da lavoura vermelha, atribuindo aos dirigentes antecessores a culpa pela quase insolvência do clube. Obviamente, esqueceria ou relegaria que foi no período pós-2021 que o Inter desmoronou de vez.
Essa é que é a verdade, essa é que é a realidade.
