Hiltor Mombach

Inter: o relatório do relatório, a auditoria da auditoria

Em março deste ano a Auditoria Saweryn & Associados S/S, Auditores Independentes entregou ao Inter o seu parecer sobre “as demonstrações financeiras do Sport Club Internacional (“Clube”), que compreendem o balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2016 e as respectivas demonstrações do resultado do período, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio...”
Apontou que “em nossa opinião, exceto pelos efeitos e limitações do assunto descrito na seção a seguir intitulada “base para opinião com ressalva”, as demonstrações financeiras acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes...”
A seção “base para opinião com ressalva” pedia “uma posição do controle auxiliar do grupo de contas de “impostos e contribuições a recolher”, cujo montante é de R$ 5.799.694, em 31 de dezembro de 2016. Entretanto, o clube não possui tal controle...”
Também em março, a Auditoria Baker Tilly entregou um parecer encomendado especialmente pelo Conselho Fiscal, que motivou a divulgação dos “Relatórios de Controles Internos dos Auditores do CF; Relatórios dos Auditores do Clube acerca das Demonstrações Contábeis de 2016 Demonstrações Contábeis do Exercício findo em 31.12.2016”. Segue um trecho:
“O conselheiro, Presidente do Conselho Fiscal, Geraldo da Camino vota pela reprovação das contas, “considerando a ressalva dos auditores independentes do clube, bem como, principalmente:
4) o atraso de direitos de imagem no último trimestre do ano em análise, decorrente da priorização de pagamentos relativos a fornecedores, mútuos e empréstimos, com (a) exposição do clube ao risco de exclusão do PROFUT e (b) potenciais reflexos perniciosos dessa mora nas atividades desportivas, finalidade precípua do clube, conforme art. 1° do seu Estatuto... Ainda, complementarmente, informa que estará oficiando ao presidente do Conselho de Gestão, sugerindo sindicância...”
Após das duas auditorias, chegou a vez do Conselho de Gestão receber o parecer da Ernst & Young, que detectou, entre outras coisas, a “inconsistência” em contratos não realizados com cinco empresas do ramo de construção civil, apontando “risco alto de fraude”.
Em carta aberta, o ex-presidente Vitorio Piffero se manifestou assim: “...Já as contas de 2016 foram aprovadas, as demonstrações contábeis também pelas mesmas auditorias independentes e Conselho Fiscal, tendo sido desaprovadas algumas práticas de gestão que em anos anteriores geraram apenas apontamentos...Até o momento sequer tive acesso aos documentos da dita auditoria realizada pela atual gestão.”
Para avaliar o parecer da Ernst & Young foi formada pelo Conselho Deliberativo uma comissão liderada por José Amarante. O relatório, que apontou 12 infrações, foi entregue nesta semana e publicado, assim como todos os demais, no meu blogue (www.correiodopovo.com.br). Trecho.
“Adiantamento de valores: alto volume de adiantamentos concedidos no ano de 2016 (R$ 18 milhões). Fragilidade no processo de adiantamento, desde a solicitação até a prestação de contas, sem o devido controle formal. Fonte documental: projeto de diagnóstico do S.C.I realizado pela empresa Ernst Young (pág 22).”
“Fragilidade no processo de compras ao pagamentos (sic): observamos que, do total de R$ 46 milhões em notas fiscais de entrada em 2016, 98% não passaram pelo processo de requisição, cotação e emissão de ordem de compras no sistema. Fonte documental: projeto de diagnóstico do S.C.I realizado pela empresa Ernst Young.”
Para integrantes da gestão Vitorio Piffero, o “projeto de diagnóstico” da Ernst Young não pode ser tratado como relatório, muito menos como auditoria. Por consequência, o documento elaborado por Amarante e seus pares pouco ou nada vale.
Lá se vão quase oito meses de auditorias, relatórios e “projeto de diagnóstico” e o assunto parece longe de terminar. O presidente do Conselho Deliberativo, Sergio Juchem, convocou uma reunião extraordinária para esta segunda-feira, quando será apresentado o resultado da avaliação feita pela comissão especial, e possivelmente contratada uma nova auditoria.
Pedro Affatato, que atuou como vice de Piffero, disse várias vezes para este colunista que a gestão passada está sendo vítima de perseguição política. Motivo: ter colocado o Internacional pela primeira vez na Série B.
Na carta abertura (está no meu blogue na íntegra) Piffero sugere claramente que os problemas verificados na sua gestão são históricos no clube.
Por essa razão quero publicamente conclamar o CD a aprovar uma completa apuração das contas, desde janeiro de 2007 até esta data, em especial nos contratos e no futebol (seja contratações, comissões de atletas, rescisões e etc).” E arremata: “Farei minha defesa em todas as instâncias”.