Hiltor Mombach

Inter: pingos nos is

Piffero deu entrevista.
Valeu por uma parte.
Não valeu por outra. A parte que valeu:
"Eu falei depois do jogo para todas as rádios e disse que o Inter foi operado pela arbitragem.
Foram dois erros absurdos.
O primeiro lance foi de carteirinha.
Depois, o árbitro alega lesão e não faz parada técnica para os jogadores.
Mais tarde, entra o Jean Pierre, que estava apitando bem, mas foi infeliz ao marcar aquela penalidade do Paulão".
A parte que não valeu.
"Na realidade, o Alisson foi vendido pela imprensa, assim como o Geferson já tinha sido vendido pela imprensa em várias oportunidades.
Setores do Inter ainda acreditam na imprensa e, por conta disso, eu sou questionado.
Eu não posso entrar no ar para falar sobre cada mentira inventada".
Alisson não foi vendido por ninguém ainda.
E será vendido pelo Inter.
Piffero perguntou aos seus diretores de futebol se poderia vencder Alisson.
Resposta: não. Piffero poderia não ter atendido ao pedido, mas atendeu.
Geferson está sendo negociado por Jorge Machado.
Jorge Machado confirma.
Entendo Piffero.
Estamos em setembro e não há mais a quem culpar.
Trecho de uma postagem deste blogueiro não vai muito.


Vitorioso na sua primeira passagem como presidente, este Piffero rasgou a sua biografia, esqueceu seu aprendizado.
Parece estar com o rei na barriga.
Errar uma vez é humano, duas, imperdoável.
Quando Piffero foi eleito, Abel ainda era o treinador.
Piffero deu a contratação de Tite como favas contadas e, quando o técnico acertou com o Corinthians, ficou com um sorriso amarelo.
Seguiu-se um périplo na busca de um substituto para Abel.
O périplo deixou o Brasil para achar Aguirre no Uruguai.
Se não tem tu, vai tu mesmo.
Oito meses depois, Piffero se supera e faz pior.
Demite um técnico, Aguirre, sem ter seu substituto e leva 5 a 0 no Gre-Nal, vexame histórico.
No seu novo périplo, ancorou o navio colorado no porto de Mano Menezes e pagou mico, com Mano dizendo que não trabalha com Piffero. Como na aventura anterior, içou velas rumo ao exterior em busca de Jorge Sampaoli.
Outro mico.
Havia uma multa rescisória milionária para tirar o treinador da seleção chilena.
Ninguém esperava que Piffero, pela sua experiência de presidente vitorioso, cometesse equívocos tão bisonhos.
Havia entre os colorados a convicção de que Piffero sopraria as brasas de 2011, do último grande título, avermelhando novamente a fogueira colorada.
Este sentimento dos colorados de que o ciclo de ouro do Internacional está se exaurindo não é à toa.
Ninguém esperava que justamente o experiente Piffero errasse duas vezes na substituição de um técnico, desmontasse o time como desmontou, com vendas e com a permissão de negociação de jogador com outro clube.
E há ainda esta sinalização de que a hierarquia no Beira-Rio começa com um atleta, atraso nos salários com jogadores reclamando publicamente e torcedores protestando como há muito tempo não se via.
Sem falar nas contratações equivocadas e salários desiguais para funções iguais.
Retomo a frase de abertura: há um sentimento entre os colorados de que o ciclo de ouro do Internacional está se exaurindo.
O patético é que isto está acontecendo justamente quando se esperava a retomada das conquistas.
Era esta a expectativa para quando da finalização da reforma do Beira-Rio.