O Conselho Deliberativo do Inter optou por criar uma comissão especial para analisar as conclusões da due diligence promovida pela da Ernst & Young e para dar oportunidade aos integrantes da gestão Piffero darem as suas explicações. O grupo de conselheiros tem 30 dias para finalizar o trabalho. José Alfredo Amarante, que concorreu à presidência do clube na última eleição e foi derrotado ainda no primeiro turno, será o presidente. Piffero disse a este colunista que irá falar.
Afaffato, vice de finanças na época, também falará.
Pode acontecer de tudo ao final do levantamento que será promovido por Amarante e seus pares. Inclusive nada.
Lembro aqui um fato surpreendente ocorrido no Grêmio quando o caso ISL acabou arquivado..
Em 15 de agosto de 2007 o Correio do Povo publicava a seguinte manchete:
“Relator critica o arquivamento”.
Segue o texto:
“O conselheiro Pedro Ruas atuou como relator da comissão de Ética ao lado de Geraldo Nogueira da Gama, José de Jesus Peixoto Camargo e Omar Gustavo Panitz Selaimen.
Ruas estava decepcionado com o arquivamento do relatório:
‘Foram 29 sessões, oito meses de trabalho. A primeira versão tinha mais de 100 páginas. Enxugamos para 12.
Nós não decidimos montar a comissão.
O trabalho foi nos delegado.
Lemos o relatório na presença dos advogados das partes, enviamos cópias.
É inadmissível que o resultado nem tenha sido apresentado.
O Grêmio não merecia passar por esse fato. É um absurdo o relatório ter sido arquivado antes de ser conhecido. A maioria dos conselheiros abriu mão, mais do que de uma prerrogativa, de um dever de conhecer os fatos e o enquadramento’.
Segundo Pedro Ruas, a comissão de Ética ‘trabalhou à luz do velho e do novo estatuto e do código de ética para garantir aos conselheiros todos os subsídios. Esses poderiam rejeitar o relatório. O que eu não aceito, e estou falando em meu nome e não dos meus companheiros de comissão, é que se tenha arquivado sem sequer dar chance para sua leitura’.
O site do Grêmio relatava assim o fato:
“Foram necessárias duas votações nominais para que os conselheiros do Grêmio Foot - Ball Porto Alegrense, reunidos nesta segunda-feira (13/8), durante convocação extraordinária, aprovassem o arquivamento do relatório da Comissão de Ética que tratariam da exclusão dos ex-dirigentes, José Alberto Machado Guerreiro e Martinho Clóvis de Camelo Faria.
Com esse encaminhamento, o parecer não foi lido, ficando para a Justiça Comum a decisão final sobre o futuro dos dois conselheiros junto ao quadro social gremista já que, segundo o estatuto do Clube, é automática a exclusão do sócio que for condenado judicialmente.
Estiveram presentes a reunião 235 conselheiros entre suplentes e titulares.
No entanto, a votação permitiu apenas a participação de conselheiros titulares que aprovaram o arquivamento por 115 votos contra 89 dos que desejavam a leitura do relatório e a posterior votação do seu parecer naquela sessão, conforme o edital de convocação.
A Comissão de Ética do Grêmio é um órgão de assessoramento do Conselho Deliberativo e estava apreciando esse processo administrativo desde março do ano passado quando foi acionada a partir dos resultados divulgados por uma Comissão Especial criada para tratar do caso dos “cheques ISL”. Lembrando que Guerreiro permanece conselheiro.
Vai algum tempo ouvi importante conselheiro do Inter sobre a gestão de Vitorio Piffero.
Eu disse a ele que poderia ser proposta uma investigação em outras gestões, com a exigência de relatórios como o elaborado agora pela Ernst & Young.
A resposta surpreendeu. “Já existe nos bastidores a especulação de que poderão pedir revisão nas contas das gestões a partir do anos 2000. Acho certo.
Tem que ser assim.”
Na quarta-feira, Piffero divulgou uma carta. Trecho.
“Até o momento sequer tive acesso aos documentos da dita auditoria realizada pela atual gestão, assim que tiver conversarei com os vices presidentes responsáveis para sanar qualquer dúvida ou apontamento, mas não posso deixar de estranhar a instalação de uma Comissão formada por alguns Conselheiros inexperientes na gestão, e que antes mesmo de ver a auditoria já manifestaram sua opinião.
Penso que nosso clube deve ser transparente com o associado, meu primeiro mandato de presidente iniciou janeiro de 2007 e nestes 10 anos nosso clube cresceu enormemente. Por essa razão quero publicamente conclamar o Conselho Deliberativo a aprovar uma completa apuração das contas, desde janeiro de 2007 até esta data, em especial nos contratos e no futebol (seja contratações, comissões de atletas, rescisões e etc).
Tenho certeza que uma Comissão formada por membros do Conselho Consultivo, conselheiros experientes (muitos com mais de 30 anos de Conselho Deliberativo e que colocam sempre o clube acima dos interesses de seus grupos políticos), poderia ajudar nosso clube, muito mais do que apontar o dedo para este ou aquele dirigente, apontar para o futuro, para ajudar nosso clube a ser a cada dia mais gigante.”
Não pediu revisão das contas até 2000, “mas uma completa apuração das contas, desde janeiro de 2007”.
Piffero foi presidente de 2007 a 2010. Passou o cargo para Giovanni Luigi (2011 a 2014).
