Hiltor Mombach

Inter quer voltar a ser formador de atletas

A Double Pass é uma empresa belga responsável por reformulações nos trabalhos das federações de futebol da Alemanha e da própria Bélgica.
Tem como clientes importantes ainda as federações inglesa, americana e chinesa.
Ajudou a Alemanha a formar a geração vencedora da Copa do Mundo de 2014. Desde 2017 atua no Flamengo.
O clube carioca figurava até recentemente como o quinto maior vendedor de jogadores na temporada 2018-2019, com 50 milhões de euros.
O Monaco (FRA) liderava com 250 milhões de euros.
Estas vendas ainda não são um reflexo do trabalho da Double Pass, embora a fama da empresa possa ter ajudado os clubes compradores a optar pelo Flamengo. Recentemente o Inter firmou contrato com a Double Pass.
Rodrigo Caetano era o executivo do Flamengo quando da contratação da empresa belga. Hoje o profissional trabalha no Inter. Rodrigo Caetano acha que em três anos o clube começará a sentir os efeitos do trabalho da Double Pass nas categorias de base.
O Inter já toma providências importantes. Quer tirar a base de Alvorada para integrá-la aos profissionais.
É possível que até o final do ano ou começo de 2019 a categoria Sub-20 já trabalhe no CT do Parque Gigante, que estará recebendo mais um campo de treinamentos.
Vai longe o tempo em que o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi proferiu a frase “os dois clubes têm a seguinte teoria: não sofrem ao vender o ídolo", referindo-se ao Internacional e ao São Paulo.
Hoje sem ter jogadores sequer para abastecer com qualidade o time principal, o Inter já viveu tempos que deixaram saudade. De 2003, primeiro ano do Campeonato Brasileiro de pontos corridos, até 2011, o clube faturou R$ 411 milhões com venda de jogadores.
Durante esse período, se desfez, por exemplo, de Alexandre Pato, Oscar, Fred, Nilmar (duas vezes), Alex (meia), Sandro, Giuliano, Taison, Rafael Sobis, Juan, Edinho, Danilo Silva, Walter, Ceará, Jorge Wagner...
Só em 2013 foram 123,7 milhões em vendas. Fred continua rendendo. Como clube formador, recebeu R$ 4,8 milhões pela venda do Shakhtar Donetsk ao Manchester United por R$ 240 milhões.
Chefão no Brasil em vendas de 2003 a 2013, pulverizou o segundo colocado, o São Paulo, que bateu nos R$ 287 milhões. Uma diferença de R$ 124 milhões em favor do representante gaúcho. O Grêmio era então apenas o sétimo neste ranking, com R$ 154 milhões.
Hoje, a gangorra das vendas pende quase que exclusivamente para o lado da Arena. Apenas duas negociações, Pedro Rocha e Arthur, ultrapassaram os R$ 150 milhões.
Há uma lista de jogadores que despertam a atenção, como Kannemann, Michel, Everton, Luan...
Para entusiasmado vice de futebol, Roberto Melo, o clube “percebeu que tem margem para crescer, aprimorar seu modelo de gestão, melhorar sua estrutura e reafirmar o posicionamento como grande formador, como já é parte da história do Inter”.