Hiltor Mombach

Inter: Questão fiscal pode se tornar uma “bomba relógio”

Pelo balancete de julho de 2024, a dívida fiscal está na impressionante cifra de R$ 348,6 milhões

Pelo balancete de julho de 2024, a dívida fiscal está na impressionante cifra de R$ 348,6 milhões
Pelo balancete de julho de 2024, a dívida fiscal está na impressionante cifra de R$ 348,6 milhões Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

Ouvi de alguém que a dívida do Inter, a situação financeira complicada, está no DNA do clube.
Gilberto Medeiros, presidente em 1987 é dono de uma frase que ficou famosa: "Não vim para ganhar títulos, vim para pagar títulos". Mas é possível que a situação tenha chegado ao extremo.

Recentemente, o presidente Alessandro Barcellos declarou que “do ponto de vista do investimento e da competitividade, hoje, a gente vive em um modelo de sobrevivência. Nós estamos sobrevivendo, mas até quando ficaremos assim?”
O assunto dominante no momento no Inter e SAF. Virar SAF parece surgir como a salvação.
Segue um apanhado histórico do cenário das dívidas fiscais do Internacional.

A gestão da inadimplência

O movimento político Sangue Colorado, preocupado com as finanças do Clube e com os apelos da gestão para contração de financiamentos de alto risco (debêntures), elaborou um apanhado histórico do cenário das dívidas fiscais do Internacional. Para a obtenção dos dados, foram utilizados os balanços.
O resultado foi externado pelo Conselheiro André Miola na reunião do Conselho em 30/9.
A dívida fiscal vem aumentando a cada ano que passa. No ano de 2020 (primeiro ano da gestão Barcellos), a dívida aumentou para R$ 219,4 milhões.
Pelo balancete de julho de 2024 a dívida fiscal está na impressionante cifra de R$ 348,6 milhões.
É imperioso lembrar que Alessandro Barcellos foi Vice de Administração e Finanças entre 2017 e 2019.
O Diretor Executivo de Finanças era Giovane Zanardo, promovido por Barcellos à CEO do Clube desde 2020.
O Movimento Sangue Colorado lembrou que a Lei do Profut (Lei 13.155), a qual se vinculou o Inter, prevê uma série de obrigações, dentre elas a de estar em dia com os tributos, com o INSS, os salários e FGTS (art. 4º, incisos I e VII), bem como de realizar as boas práticas de transparência, com devido zelo pela saúde financeira e econômica do clube, sob pena de enquadramento na GESTÃO TEMERÁRIA.

Infelizmente a questão fiscal está rumando para uma “bomba relógio”. O movimento não aceita que o assunto SAF seja tratado como questão de “vida ou morte”.
É necessário que o Clube reveja as políticas de gestão administrativa e que estabeleça o mote de redução efetiva e gradual dos passivos. Ademais, o valor referente aos 20% dos direitos televisivos dos campeonatos brasileiros por 50 anos próximos foram integralmente contabilizados como receita realizada em 2023, inclusive as parcelas não recebidas.
O Conselheiro do Inter, Giovani Dagostim, fez uso da palavra no Conselho Deliberativo e teceu críticas ao superávit artificial gerado nas contas de 2023. Outro Conselheiro integrante do Movimento Sangue Colorado, Edson Brum, destacou que o fato poderia ser considerado como uma espécie de “pedalada fiscal”.
A ata referenciada encontra-se arquivada no Conselho Deliberativo, podendo ser objeto de consulta.