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Águas passadas movem moinhos de inimizade. O Inter que o diga. Eu estava em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, para o Mundial Interclubes de 2010. Piffero era o presidente, Fernando Carvalho o vice de futebol e Luigi o futuro mandatário. Os três integravam o Movimento Inter Grande. Piffero queria tocar a reforma do estádio Beira-Rio com recursos do próprio clube e teria recebido o sinal verde do seu sucessor. Mandou começar a demolição. Demolição que, depois, Luigi faria parar, optando por um novo modelo, o de parceria. Luigi era acusado de ser lento. Lentamente ele cozinhou a construtora Andrade Gutierrez. Até os quero-queros de Encantado sabem que a AG quis desistir do negócio, da reforma, depois de toda a papelada assinada. Hoje, sabe-se o motivo. A holding Beira-Rio S/A ou apenas Brio S/A, a SPE (sociedade de propósito específico) criada no mês de junho de 2012 para comandar a remodelação do estádio Beira-Rio e administrá-lo, não deu lucro até aqui. O que se diz até hoje é que Luigi buscou apoio no governo federal para pressionar a construtora a fazer a reforma. Leia-se o apoio da presidente Dilma, que obviamente não queia ficar sem Copa em Porto Alegre. Luigi cozinhou a AG durante 270 dias. Ao final, o presidente da AG, Otávio de Azevedo, ao assinar o contrato entre o Inter e a construtora para o reinício das obras, disse, sem constrangimento: “Luigi é um homem determinado e, por vezes, duro na queda”. Luigi não queria assumir uma bronca destas sozinho. No dia 24 de março de 2011 mandou publicar no site do clube o seguinte: “O Sport Club Internacional comunica aos seus sócios, torcedores, conselheiros e imprensa que foi realizada na última terça-feira, dia 22 de março de 2011, a primeira reunião da Comissão de Obras formada pela presidência para o encaminhamento do modelo de parceria estratégica para a modernização do Beira-Rio, tendo sido abordados os seguintes temas: 1. Formação da agenda de trabalho da Comissão de Obras; 2. Estabelecimento da política de comunicação da Comissão de Obras; 3. Deliberação sobre a solicitação de propostas de assessoramento técnico e jurídico; 4. Definição da carta convite a ser publicada.” A comissão de obras tinha como integrantes Cássio de Jesus Trogildo, Diana Raquel de Oliviera, Frederico Gerdau Johanpetter, Geraldo Costa da Camino, Humberto Cesar Busnello, João Patrício Centeno Hermann, José Aquino Flores de Camargo, José Carlos Granja de Andrade, Keller Dornelles Clós, Luís Anápio Gomes de Oliveira (presidente da Comissão), Maximiliano Selistre Carlomagno (secretário), Pedro Paulo Salvadori Zachia, Ronaldo Marcelio Bologne Luigi dividiu responsabilidades e deu transparência total ao negócio. Na época, lembro de ter entrevistado dois integrantes da comissão, um deles importante e influente homem da construção. Ele me garantiu que sua empresa não faria tal negócio. Motivo: era por demais vantajoso para o clube. Luigi criou um modelo a ser seguido toda vez que o Inter pensar em reformar ou construir. Reproduzo um trecho de um e-mail enviado pelo conselheiro colorado João Patrício Herrmann e que foi publicado na íntegra no meu blogue: ”Entendo que através do modelo de sucesso encontrado pelo clube não devemos nos afastar do que deu certo e assim devemos proceder quanto a área do novo CT em Guaíba ,discussão sobre como melhor aproveitar o Gigantinho, Parque Gigante e Centro de Eventos assim como ocupação de forma rentável para clube das áreas do entorno” Abri dizendo que águas passadas movem moinhos de inimizade. Nos dias atuais, Piffero e Luigi não se dão mais e, para não romper com nenhum dos dois companheiros, Fernando Carvalho ficou no meio, não toma partido de nenhum deles. Qual a mora desta história? Nenhuma. Mas, se alguém quiser que tenha alguma moral, lá vai. As sugestões de ilustres colorados são de que Piffero deveria seguir o modelo de Luigi. Seguir justamente o modelo de quem Piffero vê como um opositor.