Hiltor Mombach

Ismo, de Formulismo

Sessentão e vacinado por quase quatro décadas de jornalismo ainda espero me surpreender com algumas coisas no futebol.Numa época de ismos (revisionismo, negacionismo e confessionismo) só o futebol nada confessa, nada revê e tudo nega.Dias atrás o Globo não surpreendeu ao confessar que o “apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”.
Até os bem-te-vis de Linha Francesa Alta sabiam. É confessando que se pede perdão, embora neste caso nem mil ave-marias e mil pais-nossos perdoarão. O Clube Militar reagiu afirmando que o apoio ao regime militar perdurou pelo menos até meados da década de 80. Não precisava. Os bem-te-vis de Linha Francesa Alta também sabiam disto.
Grandes heróis já tiveram sua biografia revista. Desta revisão surgiu a máxima sobre o amante de Cleópatra: “César, o homem de todas as mulheres, a mulher de todos os homens”.
Meu querido amigo Juremir Machado da Silva, o mais erudito dos escritores gaúchos, vem colocando os pingos nos is em fatos e personagens marcantes e aqui recomendo “Jango: a Vida e a Morte no Exílio”. Volta e meia, o destemido Juremir revira a história e mexe em um vespeiro. A verdade nua e crua algumas vezes machuca.Vamos ao futebol.
Ainda espero me surpreender com algum árbitro da década de 70 afirmando ter atuado em favor dos paulistas e contra os gaúchos. Não me surpreenderei com a declaração em si, não, porque os bem-te-vis de Linha Francesa Alta também sabem disto, mas com o reconhecimento público do fato.A ainda quero estar vivo para ver o Inter receber a taça de campeão do Brasileiro de 2005, nem que esta seja dividida meio a meio com o Corinthians, o Inter ficando com a metade limpa e o Corinthians com a que pertence à máfia russa e seus seguidores tupiniquins.
Teríamos o campeão lícito e o ilícito. Bem coisa do Brasil, o país onde os criminosos do colarinho branco convivem desavergonhadamente com gente do bem.Ainda quero estar vivo, também, para ver o Internacional ou Grêmio, ou Grêmio e Internacional, levantarem a taça deste Campeonato Brasileiro por pontos corridos, embora minha convicção é de que esta nova fórmula seja vitalícia e atenda por outro ismo: carioquismo e paulistanismo. Está criado o neologismo.
Ao ajudar a aprová-la, Fernando Carvalho embarcou numa canoa furada. Eu revisaria tudo e retornaria ao mata-mata. Para a taça não ficar eternamente no eixo Rio-São Paulo, só com o ismo de formulismo. E viva o mata-mata!