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Recebi centenas de e-mails de pessoas indignadas com um fato que surge malcheiroso, a possibilidade de anulação do jogo Internacional 2 x 1 Palmeiras com a justificativa de uma suposta interferência externa na decisão do árbitro, o uso da TV, que é vedado pelas regras. A TV flagrou Barcos anotando um gol de mão, ilegítimo, e legitimamente anulado.
Tal indignação vem acompanhada de uma frase jocosa: “Isto é o Brasil!”Diria que isto é uma parte ínfima de um Brasil que se acha acima do bem e do mal, de um Brasil que, graças a Deus e às pessoas de bem, está conhecendo o seu estertor. Quem apostava que o episódio mensalão acabaria em pizza deve estar estupefato com o julgamento do STF que vem transformando Barbosa em herói nacional.
O Brasil desta minoria que se acha acima do bem e do mal contrasta violentamente com o outro Brasil, o da esmagadora maioria, que não tolera mais o jeitinho brasileiro de acomodar as coisas, de beneficiar este ou aquele em detrimento de outrem.Se ao cumprir com sua obrigação o STF está prestando um serviço do Brasil, o STJD pagará um mico irreparável remarcado a partida. O simples fato de ter acatado o pedido do Palmeiras, suspendendo o resultado do jogo, já colocou o STJD sob suspeita nacional.
O que o STJD conseguiu até agora foi fomentar um levante de Norte a Sul sem que se tenha lido até agora uma linha em favor do Palmeiras. A imprensa de São Paulo desponta como a mais crítica. O Palmeiras é de lá. Um levante carregado de deboche, como a charge de Felipe Elias da Silva, que está colada no meu blogue (correiodopovo.com.br) onde uma bruxa carrega numa cestinha onde se lê STJD e, dentro, os escudos da CBF e do Palmeiras e que leva o seguinte título: “STJD, CBF e Palmeiras: travessuras!”
Um lavante que ganhou artigo do filósofo Hélio schwartsman na Folha: “Obviamente, um jogador que se exibe diante de um público de dezenas de milhares de pessoas (sem contar a TV) não pode legitimamente invocar o direito de privacidade. Por mais que tente, não consigo ver, no contexto do futebol, nenhum interesse que possa competir com o de apurar o que de fato ocorreu na jogada.”
Isto é o Brasil, o Brasil que não suporta mais intervenções jurídicas carregadas de segundas intenções, o Brasil da imensa maioria, o Brasil das pessoas de bem, o Brasil que se não vingou ainda por completo no futebol, há de vingar sem demora. Quem não embarcar neste Brasil, será desembarcado dele.