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Antes de Brasil e Chile uma suposta ameaça de bomba no Mineirão movimentou a Polícia Federal. A bomba quase explodiria em campo. Duas, na verdade. A primeira bomba: este selecionado de Felipão. A segunda bomba: o Mineirazo. As duas bombas foram desarmadas pelo goleiro Júlio César. Ah, o destino. Há quatro anos, na África do Sul, uma falha de Júlio César fez o Brasil desandar e ser eliminado pela Holanda. Ontem, ele garantiu o Brasil nas quartas-de-final defendendo duas penalidades. São Júlio César. Por mim, ele está reabilizado.O Brasil precisou de 64 anos para ver a Copa novamente no país. Há 64 anos o Uruguai provocou o Maracanazo na final. Neste sábado, nos livramos de um inesquecível Mineirazo. Por um triz a promessa de Felipão ( “nós seremos campeões do mundo”) não foi transformada num mico. O Brasil entrou no Mineirão tendo a seu favor a estatística: não perdia para o Chile há 14 anos, ou 12 jogos. E nos três confrontos em Copa, havia vencido com folga. Mas estatística não ganha jogo. Recheado de jogadores comuns e mal escalado desde o começo da Copa, os comandados de Felipão não passaram pelo gigante chileno, justamente o selecionado com a zaga mais baixa do Mundial, média de 1,75m, no tempo normal e na prorrogação. O hino, cantado com fervor e esperança antes do apito incial, transformou-se aos poucos em reza: “Pai nosso que estais no céu / Santificado seja o teu nome / Venha a nós o teu reino / Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu...” Mas nem reza ajuda para quem tem Daniel Alves, Jô, Fred, Hulk...Influenciado pelas más companhias, até o craque Neymar jogou pouco. Daniel Alves que merece ser nome de avenida: por ele passou boi, passou boiada, passou tudo. Passamos pelo Chile, que fez uma Copa brilhante, porque bravo foi Júlio César e porque Bravo não estava em dia de Júlio César. Mas para prosseguir, é preciso jogar muito mais e, para jogar muito mais, Felipão terá que ter a coragem de mudar a equipe. Daniel Alves não pode seguir em campo. Nem Fred. Nem Hulk. Talvez a entrada de mais um meio-campista ajude. Porque, se não ajudar, ninguém ajudará.