Hiltor Mombach

Joachim Low para treinador do Brasil

Não sai da minha cabeça os 7 a 1 com direito a baile que tomamos da Alemanha na Copa do Mundo.
Passei a sofrer da síndrome do coitadismo.
Agora entendo o trauma dos que acompanharam a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950.
Há tragédias implacáveis, que não sossegam com o tempo.
A Seleção canarinho da minha infância e juventude é hoje um Ícaro de asas de cera despencando dos céus rumo ao inferno.
Está em decomposição.
Nelson Rodrigues abre assim uma das duas crônicas:
“O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: — a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente.
Olhem em torno e vejam.
É terrível. O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho.”
Pois eu quero o passado de volta.
Exijo uma seleção que imponha respeito.
Não se muda sem mudar.
Trata-se de uma obviedade e explico: não se muda com as mesmas figurinhas carimbadas.
Dias atrás o Vasco trocou o treinador Doriva por Roth.
Mudou não mudando.
A CBF trocou de um figurão carimbado, Felipão, por outro, Dunga.
Trocou seis por meia dúzia.
Mudou sem mudar.
Há uma absurda opção pelo rodízio dos mesmos, há uma panelinha instalada.
Nos clubes, também.
É a impostura da mesmice.
O conflito não interessa.
Dunga acompanhado por um ex-empresário de futebol.
O torcedor brasileiro desconfia daquilo que acha que entende.
Agora passo para os finalmentes.
O mal deveria ser extirpado pela raiz.
A raiz de tudo tem nome: CBF.
Mudem a CBF e seus penduricalhos.
Contratem Joachim Low, técnico campeão do Mundo pela Alemanha, para ensinar como se monta um timaço, para botar ordem na casa.
E Tite como assessor para aprender o método alemão.
Low não fala português?
Vantagem.
Os jogadores brasileiros parecem não entender português.
Low e Tite.
A tarefa de escolher o presidente da CBF fica para um Diógenes de Sinope, aquele que na mitologia procurava um homem honesto com uma lanterna acesa.