Hiltor Mombach

Jogador derruba treinador?

Se eu acreditasse na tese repugnante, abjeta, de que jogadores promovem panelinhas para derrubar treinador, não acompanharia futebol

Tite foi demitido do Flamengo
Tite foi demitido do Flamengo Foto : Patrik Stollarz / AFP / CP

Vai algum tempo, escrevi o seguinte:
"Para mim, empatia é um grande acontecimento. Assim como afinidade.
Não desmereça o poder destes sentimentos.
Vai muito, vendo um programa de TV, lá estava Júnior, ex-lateral e meio-campista, atuando como comentarista.
Súbito, desanda a falar de Andrade.
Preciso explicar quem foi Andrade.


Trata-se de um auxiliar que, efetivado como treinador, tirou o Flamengo da zona intermediária da tabela e o levou a um título improvável de campeão brasileiro em 2009.
Sem perplexidade, ouço Júnior discorrer sobre a importância da empatia, afinidade, amizade do grupo com Andrade.
Quando isto acontece, mesmo os descontados fisicamente viram leões."
Estranhamento, indiferença, repúdio, resistência, desprezo…
São antônimos de empatia.


Se eu acreditasse na tese repugnante, abjeta, de que jogadores promovem panelinhas para derrubar treinador, não acompanharia futebol.
Mas, como diz a frase feita, "há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia."
Como explicar o Flamengo opaco, tímido, acanhado, chumbado ao gramado sob o comando de Tite e este reluzente, audacioso, flamejante sob a batuta do estreante Filipe Luís?


Amigos, não se explica tamanha metamorfose por caminhos óbvios como motivação, esquema tático, escolha de jogadores…
Filipe Luís teria conseguido em três dias aquilo que Tite não conseguiu em 70 partidas?
O Flamengo do primeiro tempo do 1 a 0 diante do Corinthians lembrou o Flamengo espetacular de 2019.
De minha parte, fico com as barbas de molho.


Filipe Luís é vassoura nova. Lembro aqui a letra da música Bola Divida para dizer que Filipe Luís pode ter seu castigo.
Se fizeram o que fizeram com Tite, podem fazer com ele.