Hiltor Mombach

Jogo de negócios

Trecho da coluna do Tostão na Folha de São Paulo desta quarta-feira.

O chamado Superclássico das Américas, apenas com jogadores que atuam nos dois países e em um momento inapropriado, por causa do Brasileirão, retrata bem a espetacularização de um fato que não deveria ter tanta importância.
Quem está gostando desses confrontos são os agentes dos jogadores brasileiros e argentinos. Imagens dos atletas com as camisas nacionais foram espalhadas pelo mundo. Passam a ser rotulados como jogadores da seleção. Vários deles nunca vão jogar pelos times principais.
Existe um grande interesse de investidores, de parceiros comerciais da CBF, dos Estados que vão sediar a Copa e de tantas pessoas que querem faturar com o Mundial que Neymar continue no país e que haja, na Copa, um grande número de jogadores que atuem no Brasil. O torcedor vai querer ver o jogador de seu clube na seleção.
O atual ambiente publicitário, comercial e emocional vai pressionar, de uma maneira clara ou subliminar, o técnico Mano Menezes a convocar e escalar mais jogadores que atuam no Brasil.
Antes, na dúvida, os que jogavam fora eram escolhidos. Agora, a preferência é dos que atuam aqui. Mesmo se Ronaldinho não estiver em forma na época da Copa da 2014, estará comercialmente valorizado.
Antes, os negócios giravam em torno, à parte do futebol. Agora, fazem parte do jogo. É também um jogo de negócios.